sábado, 5 de novembro de 2011

A dor que sempre me invade ao fim é também proporcional ao quanto me gostou cada um dos melhores livros que li. É a dor da perda, a impossibilidade de replicar o prazer da primeira leitura, dos textos virgens a mim. É como a consumação de uma paixão platônica que me acompanhava há anos e que se finda quando consumada. Se prosseguida, o será de outra maneira. A liberdade platônica é morta e com ela, todas as possibilidades de idealizações infinitas, possíveis por não reais. A cada bom livro que leio, morro um pouco por dentro. Choro sempre ao fim, mesmo que ele, o do livro, se proponha feliz. E para a dicotomia entre manter vivas as vésperas pela não leitura e o prazer infinito de consumar a morte do livro como novo, encontro saída na compulsiva procura por novidades, sabendo do risco que corro de nunca mais sentir o que já senti, de não mais encontrar em nova leitura o prazer vivido no passado. E está aí a grande lição que a literatura poderia me dar. Há que viver, há que arriscar transformar todas as vésperas em hoje. E há que seguir criando-se sonhos e expectativas. Ser feliz, afinal, é matar um a um seus sonhos, desde que outros se sonhe.

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