segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

vou seguindo a voz dela de volta à minha adolescência e quando vejo sou um camundongo, tremendo de medo num canto de um enorme labirinto. acima, uma constelação de olhos brilhando com a luz me acompanham. entre risadas e gritos, todos tendo no deboche a interseção, tremo, num misto de raiva e medo. tremo numa angústia sem fim.
as luzes se acendem e vejo um a um os rostos a me olharem. e vou guardando os nomes (e sobrenomes) todos em minha mente. e vou associando as vozes às pessoas. e me quedo raivoso a ponto de jurar vingança.
sinto então um dedo às costas que parece só servir para me lembrar de meu tamanho: um dedo dela é todo meu dorso.
não sei dizer o que fiz para estar ali, tão culpado quanto kafka em o processo. tão angustiado quanto.
marionete coletiva. ou pior, nem isso. somente um camundongo amedrontado. posto e largado à sua insignificância.

Nenhum comentário: