o tempo passa em meio a tantas informações rasas ou instáveis e penso em como gastamos tempo com as coisas menos importantes. o estágio atual da carreira, a faculdade que fizera. os sonhos profissionais e alguns materiais. tudo isso me atrai pouco e confesso às vezes perguntar em nome da burocracia romântica. em nome de te sentir sendo valorizada, alvo de interesse e curiosidade. mas a verdade é que não passa de atitude burocrática a minha. e desprendida de qualquer emoção real. das viagens suas, tenho real curiosidade. mas não pelo que viu ou onde passou e sim pelo que buscava e o que encontrou. pelas buscas pode-se conhecer alguém muito mais profundamente que pelas descobertas, estas frutos de externalidades incontroláveis. vamos e voltamos assuntos entre vinho e comida decente, num ambiente mais do que agradável e frio. não pela decoração, ao contrário, mas pela temperatura. Ouço neste frio sua história, mesmo que cuidadosamente recortada dada nossa falta de intimidade pelo nosso pouco tempo nosso. me interesso menos pelos fatos e mais por suas consequências em você. é o que vai me fazer sentir se seremos ou não uma dupla somada às nossas individualidades. a pele sua também me interessa. a sensação da minha mão na sua. seu gosto e seu beijo, muito me interessam e começam a me passar como será o resto, que antecipou mesmo antes de saber que foi. vou te entendendo e vejo sua necessidade de entrega, sua presença forte, densa. isso me atrai. disso gosto em você. isso diz-me muito sobre suas buscas. mas entre essas buscas, uma brusca parada. medo, seu medo que afasta o que mais gosta, o que mais procura. seu medo disfarçado de fastio. sua postura displicente, desconexa. seu disfarce tosco que vaza quando me beija. você pode tentar esconder-se o quanto quiser e conseguirá, desde que não me deixe te beijar. mas volto ao ponto que te observo e te vejo sem a menor ideia da minha real intenção, da minha grande atração: suas buscas, o que quero de você são suas buscas.
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