a primeira vez que eu ouvi a história do palitinho foi da boca dela, aquele tipo de pessoa que tem tanta bondade que eu me pergunto logo o porque da sorte de tê-la como amiga. sorte maior só tê-la toda como tive. a história do palitinho: somos metade de palitos de picolé e nossa metade está por aí. e se encaixa perfeitamente. só uma metade pra cada palito, pra cada um de nós. e como o palito é de madeira, quanto a mais metades erradas tentarmos nos juntar, menor nossa chance de encontrarmos nossa verdadeira metade. a tentativa errada desgasta, amassa as arestas e passamos a não nos encaixar mais nem mesmo na metade perfeita pra nós. escutei essa história em 2001/2002. tinha então vinte e poucos anos e toda arrogância da juventude, pelo menos da minha. não concordava com a tese. me via mais como uma metade dura, inquebrável. e fui testando metade depois de metade. em minha defesa, posso dizer que acreditei piamente que cada uma delas era a metade. hoje vivo o conflito de me sentir finalmente pronto à outra metade, porém só sendo o que sou pelas metades que não foram. se acreditar que sou palitinho de madeira, já perdi meu encaixe. acreditando no que acredito, não perdi o encaixe, mais ganhei um desgaste: como acreditar que um novo amor é o amor depois de tantos amores? e aí talvez eu compreenda a história: os desgastes, os sofrimentos podem nos fechar por completo se não nos esforçarmos muito a permanecermos abertos. se não formos resilientes ou crentes o suficiente. e talvez aí resida a verdade da história, mesmo que não aplicável a todos (ou pelo menos, a mim).
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