domingo, 22 de dezembro de 2013

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

vou seguindo a voz dela de volta à minha adolescência e quando vejo sou um camundongo, tremendo de medo num canto de um enorme labirinto. acima, uma constelação de olhos brilhando com a luz me acompanham. entre risadas e gritos, todos tendo no deboche a interseção, tremo, num misto de raiva e medo. tremo numa angústia sem fim.
as luzes se acendem e vejo um a um os rostos a me olharem. e vou guardando os nomes (e sobrenomes) todos em minha mente. e vou associando as vozes às pessoas. e me quedo raivoso a ponto de jurar vingança.
sinto então um dedo às costas que parece só servir para me lembrar de meu tamanho: um dedo dela é todo meu dorso.
não sei dizer o que fiz para estar ali, tão culpado quanto kafka em o processo. tão angustiado quanto.
marionete coletiva. ou pior, nem isso. somente um camundongo amedrontado. posto e largado à sua insignificância.

domingo, 15 de dezembro de 2013

1. be nice to people
2. go back to #1
só, entre tantos
pelos assuntos
pelas pessoas
pelo que seja
estou só
mesmo
entretantos
mordo minha pele para ver se ainda sinto. se ainda doo.
o inglês britânico é o idioma do rude operário, o americano do pragmatismo. o francês o idioma do delicado. o chinês do estressado. o espanhol do amor da paixão. e a nossa portuguesa é a língua da melancolia. até a alma.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê cadê você cadê você cadê você cadê você

que desistiu, cadê você?

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

o inglês britânico é o idioma do rude operário, o americano do pragmatismo. o francês o idioma do delicado. o chinês do estressado. o espanhol do amor. e a nossa portuguesa é a língua da melancolia. até a alma.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

somos todos poços fundos
de inseguranças
e problemas sem solução
somos covas
não das rasas
escavadas em nossas almas
um pouco mais a cada dia
que passamos em solidão

estou no taxi e o motorista assovia uma musica qualquer, que toma de mim meus pensamentos, mais pela sua falta de harmonia do que pela qualidade, a ponto de que se a tentativa não fosse de acompanhar o que toca no rádio, eu não saberia do que se tratava o barulho. e penso em como, nos últimos tempos, assovios desprovidos de talento têm sido produzidos à minha volta e o quanto somos (sou) invadidos em nosso espaço pela falta de limite alheio, em melodias, risos e movimentos que, se não nos atentarmos, nos empurram para o canto de tudo, até que só nos sobrem subsolos em nosso próprio mundo, já sem os barulhos e movimentos. pergunto-me o quanto nosso espaço é nosso de direito ou se ele só existe se quem a nossa volta o perceber também, nos obrigando a nos mantermos sempre em posição de combate, buscando nada mais que o pouco que cremos merecer. e, como o isolamento não é alternativa viável, passamos nossos dias em doídas lutas pelo que deveria ser nosso de direito, mas que sem a briga, já estaria perdido.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

estou no taxi e o motorista assovia uma musica qualquer, que toma de mim meus pensamentos mais pela sua falta de harmonia do que pela qualidade, a ponto de que se a tentativa não fosse de acompanhar o que toca no rádio, eu não saberia do que se tratava o barulho. e penso como, nos últimos tempos, assovios desprovidos de talento têm sido produzidos à minha volta e o quanto somos (sou) invadidos em nosso espaço pela falta de limite alheio, em melodias, risos e movimentos que, se não nos atentarmos, nos empurram para o canto de tudo, até que só nos sobrem subsolos em nosso próprio mundo, já sem os barulhos e movimentos. pergunto-me o quanto nosso espaço é nosso de direito ou se ele só existe se quem a nossa volta o perceber também, nos obrigando a nos mantermos sempre em posição de combate, buscando nada mais que o pouco que cremos merecer e, como o isolamento não é alternativa viável, passamos nossos dias em combates doídos, lutando por nosso espaço que deveria ser nosso de direito, mas que sem a briga, já estaria perdido.

sábado, 14 de setembro de 2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

the world is moving forward... how about you?

carrying some weight

altogether

even when things are not clear

classy steps

or sporty ones

on hills to be higher

or lower ones to be safer

on wheels to be faster

on flops as if not caring

in front or behind

together again

the best possible way

outdated

trendy 

awry

hipster

preppies

quinta-feira, 20 de junho de 2013

me afundo no sofá
que já foi branco
encosto a cabeça
e fecho os olhos
nada mais importa
nada mais
digno de nota
ou tempo

segunda-feira, 17 de junho de 2013

meu olho cheio de lágrimas
pelo que não vai acontecer
pelo que a sua partida evitou
impossibilitou
por seu rosto cada dia mais vivido
seus conselhos mais sabidos
seus netos, de inexistentes
a crescidos
sua cabeça branca
(sinal de que não era hora -
às vezes me pego pensando -
seus cabelos ainda negros)

sábado, 15 de junho de 2013

não é que eu não tenha opção. é que te escolho novamente e sempre, mesmo entre infinitas opções.
seus beijos
obra de arte
sua pele branca
seus lábios pintados
escarlate

tenho sentido sua falta, muito mais que o usual. sem motivo aparente. só hoje percebi que ontem marcou o quinto mês de sua partida e quase o sexto sem ouvir sua voz, sua risada, sua tosse. e penso como o mundo é menor na sua ausência.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

sua risada ecoa na sala e de repente te vejo sentado em frente a tv, pernas cruzadas, como costumava ficar. me aproximo, sento ao seu lado e tento conversar. mexo minha boca mas estou afônico. como se a diferença de nosso tempo me impedisse de falar.
abdico das paixões uma a uma, como quem arranca espinhos de uma flor, como cravos espremidos. abdico como se pudesse só para vê-las voltarem, ainda mais intensas.
uma descarga de adrenalina invade meu sangue e traz consigo a ansiedade. é madrugada. de cima abaixo meus músculos enrijecem. acordo. são três e quarenta e dois da manhã. minha noite de sono acaba de terminar. sei que o sono não vem mais de forma natural, mas só intermitentemente e por extenuação total. desta vez acordei sem nenhum problema específico em mente. penso então em cada um dos que creio podem ter me trazido até aqui e vou resolvendo-os um a um em minha cabeça, criando uma lista de afazeres para assim que o dia raiar. a adrenalina diminui, a angústia é mais suportável, mas o sono profundo, este só voltará amanhã pela noite (e será pesado pelo cansaço acumulado, pelo menos até o meio da próxima madrugada). é a quarta vez na semana que acordo antes de precisar e o cansaço já se acumula e transparece em olheiras e bocejos ao longo do dia. o nível de concentração possível já é muito baixo e somado a ansiedade torna impossível qualquer leitura mais elaborada. os livros abandonados na cabeceira, parados, pela angústia tamanha. como tudo. como eu.

terça-feira, 11 de junho de 2013

um passo de cada vez
te levei para passear
um dia de cada vez
só nós dois e o velho mar

um passo de cada vez
te puxei pra perto
um dia de cada vez
pra poder te amar

e te amei
com tudo
um dia de cada vez
pro fim desse amor
nunca chegar
eu não sei sambar, mas me mexo... não sei dançar a dois, mas engano... não sei cantar, mas me empolgo... só sei amar e não reclamo.
(20 de nov de 2006)

sábado, 8 de junho de 2013

a aeronave manobra em solo e parte de uma cabeceira em direção à outra, acelerando. olhando pela janela, vê-se a velocidade pela paisagem lateral, agora um imenso borrão verde escuro. o avião desgruda do solo e se põe a voar (meu medo de aviões vem do simples fato de o aço ser mais pesado que o ar e enquanto as leis da física explicam, o instinto não aceita). a cidade se apequena aos meus pés. todo nosso cotidiano cabe na palma da minha mão. nossas casas, nossos trabalhos, nossas semelhanças e diferenças. tudo está lá embaixo e diminui a cada minuto. estamos a dez mil pés, você ao meu lado é maior do que toda nossa vida. o voo ajusta minhas perspectivas (e espero, as suas). a porta do avião aberta, paraquedas às costas. só nos resta pular (afinal, para isso viemos até aqui). o plano: eu pulo antes e você vem em seguida. eu te espero no ar para nos encontrarmos ainda com o paraquedas fechado e aproveitarmos juntos e ao máximo a queda livre. puxamos juntos a corda de abertura e vamos lado a lado até o local do nosso pouso, até terra firme. pulo e olho para cima. você está na porta. te espero diminuindo ao máximo minha velocidade. te olho e fica a dúvida (só minha): será que vai se jogar? penso isso e te vejo já no ar, em queda livre, embicada em minha direção. estamos a quase duzentos quilômetros por hora, rostos esticados (deformados) pelo vento a bater. já estamos perto um do outro, braços se buscando e o vento insistindo em dificultar. mantemos a calma (já pulamos antes e sabemos que sem ela não conseguiremos), mas sem parar. estamos cada vez mais perto. já vejo sua mão pequena em detalhes, até que nos encontramos (pela velocidade, quase nos empurramos). minha mão esquerda na sua direita. mais um pouco e nossas quatro mãos se juntam e assim descemos até a hora de abrir o paraquedas: juntos, a mais de duzentos por hora.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

seu sorriso ecoa em mim como uma lembrança gostosa dos dias que eram só nossos. esse ecoar que traz junto seu cheiro, e me vem então sua nuca nua enquanto seus cabelos presos à minha mão e o gosto da sua orelha mordida depois do passeio da minha boca pela sua, pela nuca nua. e eu que sempre me senti tão perdido no mundo, num não pertencimento quase agudo, me achei em nós, no que somos, no que fomos e mais ainda no que seremos. não preciso de mapas, crenças ou magia. me bastam (me completam) você (nós), bons textos e poesia.

quinta-feira, 30 de maio de 2013


Paraty, Bourbon, Céu
agora é a hora
vamos lá e pã
que Paraty vai proporcionar
sacanagem ou amor
é com você
só ousar
que vai acontecer

(brincadeira torta com a maneira Chacal de escrever)
você passou por mim.
rápido que nem vi,
simples assim.

passou ou deixei-te passar,
é o que me pergunto.
ainda não sei.
(será que conseguiria te amar?)

deixou de rastro,
confusa esperança,
de louca paixão.
(e temperança?)

de fato, agora,
só me sobra minha pouca memória,
e desilusão.
(não sentida paixão)



Jogo dos 5 erros

roda de gente que só se atura
casais que se odeiam
lugar sofisticado
vinho caro
papo chato

terça-feira, 28 de maio de 2013

a culpa é da cultura, do ambiente onde fomos criados. competitividade, em diferentes quantidades, mas vista sempre como qualidade. persistência, talvez a maior característica dos que conhecemos por bem sucedidos, de sucesso. permanência como objetivo, condição sine qua non da felicidade estereotipada. consequência de tudo: quantidade enorme de gente mal casada (mal amada).

pelo rio da ponte
beirando a água
mais de cem albatrozes
errantes
em revoada

na ponte do rio
cruzando a estrada
em minutos eternos
você
se aproximava

da ponte, no rio
nós de mãos dadas
refletíamos juntos
e eu
me apaixonava

quinta-feira, 23 de maio de 2013

as much as i feel
that i don't belong
i´m still moving forward
through a path that is wrong

terça-feira, 21 de maio de 2013

não entendo tudo que diz, mas sei ver beleza onde a beleza está. e te vejo linda a cada letra que te escorre, a cada rio que te vaza. seu delta, cheio de ilhas, onde cada rio seu encontra o mar. fico de longe, mas quero mesmo em todos os seus rios nadar.

domingo, 19 de maio de 2013

é nos detalhes que o amor se faz e nos detalhes que se mostra: no bom dia carinhoso da rotina, na troca de olhares que perguntam se está tudo bem, na esticada do cobertor para cobrir o restinho do pescoço dela, na mão que tira um fio branco preso na roupa preta. e é simples assim: se não tem detalhes, não é amor.

quinta-feira, 16 de maio de 2013


Drummond dos nossos dias (paródia minha)

Nova Quadrilha

João amava Teresa, que fingia que não, mas amava Raimundo
que não admitia mas amava Maria
que nunca respondia mas amava Joaquim
que não reconhecia que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história mas não se escondia.

sábado, 4 de maio de 2013

domingo, 28 de abril de 2013

é de você que tenho
fome
por você que viro noites
insone
sonhando acordado
com seu gosto
seu cheiro suado
gemido abafado
seu beijo,
equatorial,
quente molhado

fogo
que nem chuva tropical
apaga
que noite nenhuma
amarga

sigo então meu caminho
para longe de você
flor, que mais que flor
vive de espinho
eu deveria ficar feliz
por você me querer
por sentir saudades
por me procurar
por tentar me ter

mas fico triste
quando vejo o que fazes
se protegendo do temido dessabor,
é capaz de matar de inanição
o que poderia ser mais puro amor

quinta-feira, 25 de abril de 2013

transbordo palavras
vazo como sou
conexo
dialetico
desestruturado
palavras
como vapor cuspidas
[exaladas]
palavras suficientes
para seguir
[sem explodir]

quarta-feira, 17 de abril de 2013

se
felicidade = realidade - expectativa

se
ambição = expectativa - realidade

ambição > 0 ==> felicidade < 0

logo,
para ser feliz
muda-se a ambição
ou a equação

segunda-feira, 15 de abril de 2013

explodo em choro
pensando em você
e no que não fomos

saudades
de nossas não tardes
de nossas mãos separadas
(não dadas)
saudades de não te ver

sinto falta
e por isso me faço choro
sinto falta de não te ter

sexta-feira, 12 de abril de 2013

a primeira vez que vi você nua, quase chorei. fui menos ateu nesse dia. há de existir um deus para ter criado você, pensei. é muita perfeição, muito detalhe, muita curva para ser coisa do acaso. nada disso te falei assim, para não parecer clichê, mas é verdade quando digo que quase chorei. me senti o dono do mundo, esse mundo que é você. não precisava de nada que não estava ali, à minha mão. esse foi também o dia do nosso primeiro banho juntos e eu lembro de invejar a sorte de cada gota que escorria  no seu corpo. suas curvas marcadas por leitos de água que alternavam volume e velocidade. seu gosto molhada que não esqueço. você acanhada, quase indefesa, talvez por ver o desejo que beirava loucura no meu olhar. eu, um vulcão na mais plena erupção sentimental, tonto de desejo, insano. apaixonado, te amando. era toda a vida ao mesmo tempo. era tudo agora.
como se pode gostar de alguém que gosta de você se nem você o faz? é como se fosse (a menina) a pecadora original. ela mordendo a maçã que levam os dois do paraíso celestial ao amor carnal. ela mordendo por amor a você, quando nem você arrisca se amar. quando se está mais seco e amarrotado do que uva passa. quando tudo menos essa secura, passa. quando nada dá. que esperança louca é essa que o amor traz? que inconsequente se torna para achar que dá? como se atreve a moça a ignorar a secura que a pele transpira, mesmo quando tudo que a pele quer é a pele sua (dela) tocar? como se controlar se o que se quer é total e completamente se entregar? como não se controlar se o mundo já ensinou que para apanhar, basta a guarda baixar. porque, de onde queres assim? a quem, porque foi escutar? moça, me escuta que eu sei das coisas do coração: foge daqui moça. se salva que a mim nada vai salvar.

sexta-feira, 29 de março de 2013


eu cor
to
eu cur
to
eu su
mo
eu a
mo
e como
você

eu corto
eu curto
eu sumo
eu como
e como
eu amo
você

esse é um poema
rasgado
de corte fundo
destruído
poema acabado
sem graça
fraco
finito
como meu eu
desde que mantenho
meus sentimentos todos
escondidos
às sete chaves
trancados

me peguei fugindo
desesperadamente
de você
não fugia do frio
da dor
ou do que
de ruim
no fim
sei
vai acontecer
fujo de ti
pelo durante
por todos os carinhos
cumplicidade
fujo da felicidade
da completude
fujo como louco
do nosso amor
evito na fuga
a inebriante paixão
que sei
estamos fadados
a viver

desde que atrás
de um certo ar blasé
me escondo
que protejo
por preguiça
medo
ou falta de
genuíno desejo
meu coração
de arroubos
desde que fujo
de todas as paixões
iniciais
potenciais
desde que não me rasgo
não me mordo
nem me viro do avesso
sofro ou amo
com todo
com tudo
desde que desisti
não me iludo
não tento e me afundo
num preto lodo
e vou secando
secando
secando

terça-feira, 19 de março de 2013


sou uma fraude
tão falsa
que mais indefinida
que o artigo
que a precede
tão rasa
que qualquer um
que me vê
já percebe

sou todo fraude
quando finjo
não te querer
sou fraude maior
quando te amo
até não mais caber

você era o motivo
que eu precisava
pra todo dia
voltar cedo
pra casa

quarta-feira, 13 de março de 2013

pequenos e rasos
cortes
me infestam
me ardem
e se não sangram
me provam viver
como se para saber-se
vivo
bastasse doer
se por fora rio
se é isso que vês
não vês o frio
que está a fazer

se por fora rio
se estou feliz para você
me perdes o trio
fundos cortes,
aguda dor,
eu, a esmorecer

domingo, 24 de fevereiro de 2013

infeliz, era assim que estava. e me deixava claro em palavras comparadas. comparações sempre: com ele era mais calmo. ele era mais alto. sempre foi mais valente. com ele, era uma vida de casa própria. uma vida de casa própria. foi essa a comparação que me fez ir embora e nunca mais voltar. beleza, valentia, traços qualquer de personalidade, condições de sucesso, nada me marcou tanto quanto uma vida de casa própria. sonhei que te larguei porque o que mais você sentia falta nele era a segurança de não ter que pagar aluguel todo mês. achei pouco.
confesso
o desânimo
com todo o
processo

réu kafkiano
julgamento
além de público,
leviano

sábado, 16 de fevereiro de 2013

toma a rédea
da tua vida
antes que seja tarde
demais

toma a rédea
escolhe o caminho
que só o caminho importa
quando a morte
é o que o futuro
nos traz
não quero seu passado
o que ficou
quero seu presente
e seu porvir

não quero o pronto
mesmo reboco
quero o nem começado
que você nem imaginou

te quero
daqui pra diante
até que o passado
sem nós
seja passado distante
vira lata

os olhos tristes
apesar de bonito,
cabisbaixo
com auto estima
carregando gerações
de humilhação
prefiro prata
a ouro
modéstia, mesmo que falsa
à auto afirmação
exposição
à proteção

prefiro amor
à paixão

a presença
converte-se em
ausência
todos
longe de todos
com os todos
de longe

confundem
a passagem do tempo
com a vida
quando para viver
é fundamental estar
presente

um velho poeta
conhecedor das estrelas
foi quem me ensinou
que amor
não tem idade
nem validade
que amor de verdade
é o que persiste
que insiste, sobretudo
mas que reconhece
se defronte um muro
que amor só pula
a dois
que o maior amor do mundo
sozinho
é pequeno
que não é na luta
que se ganha no amor
mas na entrega
amor não é esporte
não é combate
amor é até a morte
gentileza
amor é consorte
oração

se estás nas plantas
que tanto gostava
comigo estarás

se estás nas palavras
que tanto procurava
comigo estarás

se estás nos valores
que tanto pregava
comigo estarás

se eras amor
como demonstrava
comigo sempre estarás

o vento constante que não dá trégua e traz um quê de inóspito às lindas paisagens. as linhas infinitas de areia, esculpidas pelo incansável vento leste e pelo mar. paisagens móveis. casas enterradas, barcos suspensos. as coisas por vezes nos lugares que não são seus. permanência fluida. aridez, mesmo com um mundo de água à frente. bichos quase esqueléticos e consternados. vê-se a consternação na cara dos jegues, das vacas e dos cachorros que perambulam e pastam soltos. o ritmo lento da vida, onde urgência é um conceito desconhecido. rostos repousados na janela como as namoradeiras de barro. por todos os lados e em todas as casas, redes, sempre cheias. simpatia autêntica. vaidade. nas roupas engomadas, no ajeitar dos cabelos para as fotos. nas poses. uma vaidade tão pura que não narcísica, como se tivesse por propósito único ao outro agradar. nordeste que pouco conheço mas sei que hei de muitas outras vezes voltar.










sábado, 26 de janeiro de 2013


noites mal dormidas
por angústias
quero-as todas
as suas
e também as boas
não só de dia
com verdadeiras
ou nem tanto
alegrias
mas também
por toda noite
dividir a cama
e os demônios
que te habitam

domingo, 13 de janeiro de 2013


esses dias divididos
entre a espera
e a lamentação
sem espaço
para qualquer
outra sensação
a dor
insuportável
pelo tempo
ou tamanho
sem ceder
paralisa
sem nada
a sedar
tentativas
de interrupção
em vão
vão de imprimir
culpa
a perder a razão
e nada funciona
nada diminui
essa solidão

sábado, 12 de janeiro de 2013

A mais evidente presença sua que me restou foi a estranha mania de só dormir em metade da cama. Mesmo depois de não a dividirmos mais, eu a dividia sozinho. Religiosamente. Tanto que passei a usar a sua metade como outra mesa de cabeceira, deixando nela livros, cadernos e o pijama. Demorei a associar a mania a você. Demorei quase seis meses até perceber. E precisei de pouco mais de um ano para começar a ver a mania se dissipando lentamente, como se te empurrasse a cada dia mais para fora dela, mas sem querer interromper seu sono. O dia que eu acordei com ela toda revirada, totalmente ocupada por mim, foi o primeiro que realmente te deixei ir, que me senti livre para prosseguir. Foi como se minha vida toda estivesse até então dividida, tudo pela metade. Foi esse dia que soube poder novamente amar.

Tenho tido um sonho recorrente de que dividimos a mesma casa, por pura coincidência. Nos conhecemos de vista de antes. Nos vemos raríssimas vezes. Não nos falamos nunca além de um eventual e burocrático bom dia. Mas são encontros tensos, como se quiséssemos nos falar e não conseguíssimos ou não pudéssemos.