sábado, 16 de dezembro de 2023

Novo mundo

Sai de querer dominar 
O mundo
Sem limites geográficos
As línguas como chaves

Sai de querer explorar
Tudo
De uma vez
O infinito como fim

Sai de querer viver para sempre
Insaciável
Inalcançável
O todo em expansão

Pra querer guardar
O minimo
O milésimo de segundo
Do que está a crescer

Pra fazer da sala de casa
Limitada
O fundo repetido
Cada gesto de emoção

Pra ver tudo comprimido
Num pre big bang
Nos menos de 20 quilos
Que as duas ocupam


terça-feira, 19 de setembro de 2023

A primeira vez que eu vi neve foi em 1996. Tinha dezesseis anos e estudava por intercâmbio no interior da Carolina do Sul.

Estacionamos no Kmart e logo que saímos do carro, começou a nevar.

Abri os braços em uma alegria plena, feito criança, maravilhando-me com o novo. Neve é sempre lindo, mas neste dia foi a neve perfeita. Grandes mas leves flocos caiam lentamente, quase flutuando, até encontrarem algum objeto e se espatifarem em quase pó.

Aprendi depois que estes flocos são chamados dendritos e ocorrem em temperaturas não tão baixas, com certo grau de umidade.

Quando penso na vida diária da paternidade (dupla), esta é a lembrança que me ocorre. A cada gesto novo, cada palavra aprendida, cada uma das surpresas diárias da convivência explode em mim como dendritos de amor. Leves, lindos e muitos.