quinta-feira, 17 de outubro de 2013

o inglês britânico é o idioma do rude operário, o americano do pragmatismo. o francês o idioma do delicado. o chinês do estressado. o espanhol do amor. e a nossa portuguesa é a língua da melancolia. até a alma.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

somos todos poços fundos
de inseguranças
e problemas sem solução
somos covas
não das rasas
escavadas em nossas almas
um pouco mais a cada dia
que passamos em solidão

estou no taxi e o motorista assovia uma musica qualquer, que toma de mim meus pensamentos, mais pela sua falta de harmonia do que pela qualidade, a ponto de que se a tentativa não fosse de acompanhar o que toca no rádio, eu não saberia do que se tratava o barulho. e penso em como, nos últimos tempos, assovios desprovidos de talento têm sido produzidos à minha volta e o quanto somos (sou) invadidos em nosso espaço pela falta de limite alheio, em melodias, risos e movimentos que, se não nos atentarmos, nos empurram para o canto de tudo, até que só nos sobrem subsolos em nosso próprio mundo, já sem os barulhos e movimentos. pergunto-me o quanto nosso espaço é nosso de direito ou se ele só existe se quem a nossa volta o perceber também, nos obrigando a nos mantermos sempre em posição de combate, buscando nada mais que o pouco que cremos merecer. e, como o isolamento não é alternativa viável, passamos nossos dias em doídas lutas pelo que deveria ser nosso de direito, mas que sem a briga, já estaria perdido.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

estou no taxi e o motorista assovia uma musica qualquer, que toma de mim meus pensamentos mais pela sua falta de harmonia do que pela qualidade, a ponto de que se a tentativa não fosse de acompanhar o que toca no rádio, eu não saberia do que se tratava o barulho. e penso como, nos últimos tempos, assovios desprovidos de talento têm sido produzidos à minha volta e o quanto somos (sou) invadidos em nosso espaço pela falta de limite alheio, em melodias, risos e movimentos que, se não nos atentarmos, nos empurram para o canto de tudo, até que só nos sobrem subsolos em nosso próprio mundo, já sem os barulhos e movimentos. pergunto-me o quanto nosso espaço é nosso de direito ou se ele só existe se quem a nossa volta o perceber também, nos obrigando a nos mantermos sempre em posição de combate, buscando nada mais que o pouco que cremos merecer e, como o isolamento não é alternativa viável, passamos nossos dias em combates doídos, lutando por nosso espaço que deveria ser nosso de direito, mas que sem a briga, já estaria perdido.

sábado, 14 de setembro de 2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

the world is moving forward... how about you?

carrying some weight

altogether

even when things are not clear

classy steps

or sporty ones

on hills to be higher

or lower ones to be safer

on wheels to be faster

on flops as if not caring

in front or behind

together again

the best possible way

outdated

trendy 

awry

hipster

preppies

quinta-feira, 20 de junho de 2013

me afundo no sofá
que já foi branco
encosto a cabeça
e fecho os olhos
nada mais importa
nada mais
digno de nota
ou tempo

segunda-feira, 17 de junho de 2013

meu olho cheio de lágrimas
pelo que não vai acontecer
pelo que a sua partida evitou
impossibilitou
por seu rosto cada dia mais vivido
seus conselhos mais sabidos
seus netos, de inexistentes
a crescidos
sua cabeça branca
(sinal de que não era hora -
às vezes me pego pensando -
seus cabelos ainda negros)

sábado, 15 de junho de 2013

não é que eu não tenha opção. é que te escolho novamente e sempre, mesmo entre infinitas opções.
seus beijos
obra de arte
sua pele branca
seus lábios pintados
escarlate

tenho sentido sua falta, muito mais que o usual. sem motivo aparente. só hoje percebi que ontem marcou o quinto mês de sua partida e quase o sexto sem ouvir sua voz, sua risada, sua tosse. e penso como o mundo é menor na sua ausência.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

sua risada ecoa na sala e de repente te vejo sentado em frente a tv, pernas cruzadas, como costumava ficar. me aproximo, sento ao seu lado e tento conversar. mexo minha boca mas estou afônico. como se a diferença de nosso tempo me impedisse de falar.
abdico das paixões uma a uma, como quem arranca espinhos de uma flor, como cravos espremidos. abdico como se pudesse só para vê-las voltarem, ainda mais intensas.
uma descarga de adrenalina invade meu sangue e traz consigo a ansiedade. é madrugada. de cima abaixo meus músculos enrijecem. acordo. são três e quarenta e dois da manhã. minha noite de sono acaba de terminar. sei que o sono não vem mais de forma natural, mas só intermitentemente e por extenuação total. desta vez acordei sem nenhum problema específico em mente. penso então em cada um dos que creio podem ter me trazido até aqui e vou resolvendo-os um a um em minha cabeça, criando uma lista de afazeres para assim que o dia raiar. a adrenalina diminui, a angústia é mais suportável, mas o sono profundo, este só voltará amanhã pela noite (e será pesado pelo cansaço acumulado, pelo menos até o meio da próxima madrugada). é a quarta vez na semana que acordo antes de precisar e o cansaço já se acumula e transparece em olheiras e bocejos ao longo do dia. o nível de concentração possível já é muito baixo e somado a ansiedade torna impossível qualquer leitura mais elaborada. os livros abandonados na cabeceira, parados, pela angústia tamanha. como tudo. como eu.

terça-feira, 11 de junho de 2013

um passo de cada vez
te levei para passear
um dia de cada vez
só nós dois e o velho mar

um passo de cada vez
te puxei pra perto
um dia de cada vez
pra poder te amar

e te amei
com tudo
um dia de cada vez
pro fim desse amor
nunca chegar
eu não sei sambar, mas me mexo... não sei dançar a dois, mas engano... não sei cantar, mas me empolgo... só sei amar e não reclamo.
(20 de nov de 2006)

sábado, 8 de junho de 2013

a aeronave manobra em solo e parte de uma cabeceira em direção à outra, acelerando. olhando pela janela, vê-se a velocidade pela paisagem lateral, agora um imenso borrão verde escuro. o avião desgruda do solo e se põe a voar (meu medo de aviões vem do simples fato de o aço ser mais pesado que o ar e enquanto as leis da física explicam, o instinto não aceita). a cidade se apequena aos meus pés. todo nosso cotidiano cabe na palma da minha mão. nossas casas, nossos trabalhos, nossas semelhanças e diferenças. tudo está lá embaixo e diminui a cada minuto. estamos a dez mil pés, você ao meu lado é maior do que toda nossa vida. o voo ajusta minhas perspectivas (e espero, as suas). a porta do avião aberta, paraquedas às costas. só nos resta pular (afinal, para isso viemos até aqui). o plano: eu pulo antes e você vem em seguida. eu te espero no ar para nos encontrarmos ainda com o paraquedas fechado e aproveitarmos juntos e ao máximo a queda livre. puxamos juntos a corda de abertura e vamos lado a lado até o local do nosso pouso, até terra firme. pulo e olho para cima. você está na porta. te espero diminuindo ao máximo minha velocidade. te olho e fica a dúvida (só minha): será que vai se jogar? penso isso e te vejo já no ar, em queda livre, embicada em minha direção. estamos a quase duzentos quilômetros por hora, rostos esticados (deformados) pelo vento a bater. já estamos perto um do outro, braços se buscando e o vento insistindo em dificultar. mantemos a calma (já pulamos antes e sabemos que sem ela não conseguiremos), mas sem parar. estamos cada vez mais perto. já vejo sua mão pequena em detalhes, até que nos encontramos (pela velocidade, quase nos empurramos). minha mão esquerda na sua direita. mais um pouco e nossas quatro mãos se juntam e assim descemos até a hora de abrir o paraquedas: juntos, a mais de duzentos por hora.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

seu sorriso ecoa em mim como uma lembrança gostosa dos dias que eram só nossos. esse ecoar que traz junto seu cheiro, e me vem então sua nuca nua enquanto seus cabelos presos à minha mão e o gosto da sua orelha mordida depois do passeio da minha boca pela sua, pela nuca nua. e eu que sempre me senti tão perdido no mundo, num não pertencimento quase agudo, me achei em nós, no que somos, no que fomos e mais ainda no que seremos. não preciso de mapas, crenças ou magia. me bastam (me completam) você (nós), bons textos e poesia.

quinta-feira, 30 de maio de 2013


Paraty, Bourbon, Céu
agora é a hora
vamos lá e pã
que Paraty vai proporcionar
sacanagem ou amor
é com você
só ousar
que vai acontecer

(brincadeira torta com a maneira Chacal de escrever)
você passou por mim.
rápido que nem vi,
simples assim.

passou ou deixei-te passar,
é o que me pergunto.
ainda não sei.
(será que conseguiria te amar?)

deixou de rastro,
confusa esperança,
de louca paixão.
(e temperança?)

de fato, agora,
só me sobra minha pouca memória,
e desilusão.
(não sentida paixão)



Jogo dos 5 erros

roda de gente que só se atura
casais que se odeiam
lugar sofisticado
vinho caro
papo chato

terça-feira, 28 de maio de 2013

a culpa é da cultura, do ambiente onde fomos criados. competitividade, em diferentes quantidades, mas vista sempre como qualidade. persistência, talvez a maior característica dos que conhecemos por bem sucedidos, de sucesso. permanência como objetivo, condição sine qua non da felicidade estereotipada. consequência de tudo: quantidade enorme de gente mal casada (mal amada).

pelo rio da ponte
beirando a água
mais de cem albatrozes
errantes
em revoada

na ponte do rio
cruzando a estrada
em minutos eternos
você
se aproximava

da ponte, no rio
nós de mãos dadas
refletíamos juntos
e eu
me apaixonava

quinta-feira, 23 de maio de 2013

as much as i feel
that i don't belong
i´m still moving forward
through a path that is wrong

terça-feira, 21 de maio de 2013

não entendo tudo que diz, mas sei ver beleza onde a beleza está. e te vejo linda a cada letra que te escorre, a cada rio que te vaza. seu delta, cheio de ilhas, onde cada rio seu encontra o mar. fico de longe, mas quero mesmo em todos os seus rios nadar.

domingo, 19 de maio de 2013

é nos detalhes que o amor se faz e nos detalhes que se mostra: no bom dia carinhoso da rotina, na troca de olhares que perguntam se está tudo bem, na esticada do cobertor para cobrir o restinho do pescoço dela, na mão que tira um fio branco preso na roupa preta. e é simples assim: se não tem detalhes, não é amor.

quinta-feira, 16 de maio de 2013


Drummond dos nossos dias (paródia minha)

Nova Quadrilha

João amava Teresa, que fingia que não, mas amava Raimundo
que não admitia mas amava Maria
que nunca respondia mas amava Joaquim
que não reconhecia que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história mas não se escondia.

sábado, 4 de maio de 2013

domingo, 28 de abril de 2013

é de você que tenho
fome
por você que viro noites
insone
sonhando acordado
com seu gosto
seu cheiro suado
gemido abafado
seu beijo,
equatorial,
quente molhado

fogo
que nem chuva tropical
apaga
que noite nenhuma
amarga

sigo então meu caminho
para longe de você
flor, que mais que flor
vive de espinho
eu deveria ficar feliz
por você me querer
por sentir saudades
por me procurar
por tentar me ter

mas fico triste
quando vejo o que fazes
se protegendo do temido dessabor,
é capaz de matar de inanição
o que poderia ser mais puro amor

quinta-feira, 25 de abril de 2013

transbordo palavras
vazo como sou
conexo
dialetico
desestruturado
palavras
como vapor cuspidas
[exaladas]
palavras suficientes
para seguir
[sem explodir]

quarta-feira, 17 de abril de 2013

se
felicidade = realidade - expectativa

se
ambição = expectativa - realidade

ambição > 0 ==> felicidade < 0

logo,
para ser feliz
muda-se a ambição
ou a equação

segunda-feira, 15 de abril de 2013

explodo em choro
pensando em você
e no que não fomos

saudades
de nossas não tardes
de nossas mãos separadas
(não dadas)
saudades de não te ver

sinto falta
e por isso me faço choro
sinto falta de não te ter

sexta-feira, 12 de abril de 2013

a primeira vez que vi você nua, quase chorei. fui menos ateu nesse dia. há de existir um deus para ter criado você, pensei. é muita perfeição, muito detalhe, muita curva para ser coisa do acaso. nada disso te falei assim, para não parecer clichê, mas é verdade quando digo que quase chorei. me senti o dono do mundo, esse mundo que é você. não precisava de nada que não estava ali, à minha mão. esse foi também o dia do nosso primeiro banho juntos e eu lembro de invejar a sorte de cada gota que escorria  no seu corpo. suas curvas marcadas por leitos de água que alternavam volume e velocidade. seu gosto molhada que não esqueço. você acanhada, quase indefesa, talvez por ver o desejo que beirava loucura no meu olhar. eu, um vulcão na mais plena erupção sentimental, tonto de desejo, insano. apaixonado, te amando. era toda a vida ao mesmo tempo. era tudo agora.
como se pode gostar de alguém que gosta de você se nem você o faz? é como se fosse (a menina) a pecadora original. ela mordendo a maçã que levam os dois do paraíso celestial ao amor carnal. ela mordendo por amor a você, quando nem você arrisca se amar. quando se está mais seco e amarrotado do que uva passa. quando tudo menos essa secura, passa. quando nada dá. que esperança louca é essa que o amor traz? que inconsequente se torna para achar que dá? como se atreve a moça a ignorar a secura que a pele transpira, mesmo quando tudo que a pele quer é a pele sua (dela) tocar? como se controlar se o que se quer é total e completamente se entregar? como não se controlar se o mundo já ensinou que para apanhar, basta a guarda baixar. porque, de onde queres assim? a quem, porque foi escutar? moça, me escuta que eu sei das coisas do coração: foge daqui moça. se salva que a mim nada vai salvar.

sexta-feira, 29 de março de 2013


eu cor
to
eu cur
to
eu su
mo
eu a
mo
e como
você

eu corto
eu curto
eu sumo
eu como
e como
eu amo
você

esse é um poema
rasgado
de corte fundo
destruído
poema acabado
sem graça
fraco
finito
como meu eu
desde que mantenho
meus sentimentos todos
escondidos
às sete chaves
trancados

me peguei fugindo
desesperadamente
de você
não fugia do frio
da dor
ou do que
de ruim
no fim
sei
vai acontecer
fujo de ti
pelo durante
por todos os carinhos
cumplicidade
fujo da felicidade
da completude
fujo como louco
do nosso amor
evito na fuga
a inebriante paixão
que sei
estamos fadados
a viver

desde que atrás
de um certo ar blasé
me escondo
que protejo
por preguiça
medo
ou falta de
genuíno desejo
meu coração
de arroubos
desde que fujo
de todas as paixões
iniciais
potenciais
desde que não me rasgo
não me mordo
nem me viro do avesso
sofro ou amo
com todo
com tudo
desde que desisti
não me iludo
não tento e me afundo
num preto lodo
e vou secando
secando
secando

terça-feira, 19 de março de 2013


sou uma fraude
tão falsa
que mais indefinida
que o artigo
que a precede
tão rasa
que qualquer um
que me vê
já percebe

sou todo fraude
quando finjo
não te querer
sou fraude maior
quando te amo
até não mais caber

você era o motivo
que eu precisava
pra todo dia
voltar cedo
pra casa

quarta-feira, 13 de março de 2013

pequenos e rasos
cortes
me infestam
me ardem
e se não sangram
me provam viver
como se para saber-se
vivo
bastasse doer
se por fora rio
se é isso que vês
não vês o frio
que está a fazer

se por fora rio
se estou feliz para você
me perdes o trio
fundos cortes,
aguda dor,
eu, a esmorecer

domingo, 24 de fevereiro de 2013

infeliz, era assim que estava. e me deixava claro em palavras comparadas. comparações sempre: com ele era mais calmo. ele era mais alto. sempre foi mais valente. com ele, era uma vida de casa própria. uma vida de casa própria. foi essa a comparação que me fez ir embora e nunca mais voltar. beleza, valentia, traços qualquer de personalidade, condições de sucesso, nada me marcou tanto quanto uma vida de casa própria. sonhei que te larguei porque o que mais você sentia falta nele era a segurança de não ter que pagar aluguel todo mês. achei pouco.
confesso
o desânimo
com todo o
processo

réu kafkiano
julgamento
além de público,
leviano

sábado, 16 de fevereiro de 2013

toma a rédea
da tua vida
antes que seja tarde
demais

toma a rédea
escolhe o caminho
que só o caminho importa
quando a morte
é o que o futuro
nos traz
não quero seu passado
o que ficou
quero seu presente
e seu porvir

não quero o pronto
mesmo reboco
quero o nem começado
que você nem imaginou

te quero
daqui pra diante
até que o passado
sem nós
seja passado distante
vira lata

os olhos tristes
apesar de bonito,
cabisbaixo
com auto estima
carregando gerações
de humilhação
prefiro prata
a ouro
modéstia, mesmo que falsa
à auto afirmação
exposição
à proteção

prefiro amor
à paixão

a presença
converte-se em
ausência
todos
longe de todos
com os todos
de longe

confundem
a passagem do tempo
com a vida
quando para viver
é fundamental estar
presente

um velho poeta
conhecedor das estrelas
foi quem me ensinou
que amor
não tem idade
nem validade
que amor de verdade
é o que persiste
que insiste, sobretudo
mas que reconhece
se defronte um muro
que amor só pula
a dois
que o maior amor do mundo
sozinho
é pequeno
que não é na luta
que se ganha no amor
mas na entrega
amor não é esporte
não é combate
amor é até a morte
gentileza
amor é consorte
oração

se estás nas plantas
que tanto gostava
comigo estarás

se estás nas palavras
que tanto procurava
comigo estarás

se estás nos valores
que tanto pregava
comigo estarás

se eras amor
como demonstrava
comigo sempre estarás

o vento constante que não dá trégua e traz um quê de inóspito às lindas paisagens. as linhas infinitas de areia, esculpidas pelo incansável vento leste e pelo mar. paisagens móveis. casas enterradas, barcos suspensos. as coisas por vezes nos lugares que não são seus. permanência fluida. aridez, mesmo com um mundo de água à frente. bichos quase esqueléticos e consternados. vê-se a consternação na cara dos jegues, das vacas e dos cachorros que perambulam e pastam soltos. o ritmo lento da vida, onde urgência é um conceito desconhecido. rostos repousados na janela como as namoradeiras de barro. por todos os lados e em todas as casas, redes, sempre cheias. simpatia autêntica. vaidade. nas roupas engomadas, no ajeitar dos cabelos para as fotos. nas poses. uma vaidade tão pura que não narcísica, como se tivesse por propósito único ao outro agradar. nordeste que pouco conheço mas sei que hei de muitas outras vezes voltar.










sábado, 26 de janeiro de 2013


noites mal dormidas
por angústias
quero-as todas
as suas
e também as boas
não só de dia
com verdadeiras
ou nem tanto
alegrias
mas também
por toda noite
dividir a cama
e os demônios
que te habitam

domingo, 13 de janeiro de 2013


esses dias divididos
entre a espera
e a lamentação
sem espaço
para qualquer
outra sensação
a dor
insuportável
pelo tempo
ou tamanho
sem ceder
paralisa
sem nada
a sedar
tentativas
de interrupção
em vão
vão de imprimir
culpa
a perder a razão
e nada funciona
nada diminui
essa solidão

sábado, 12 de janeiro de 2013

A mais evidente presença sua que me restou foi a estranha mania de só dormir em metade da cama. Mesmo depois de não a dividirmos mais, eu a dividia sozinho. Religiosamente. Tanto que passei a usar a sua metade como outra mesa de cabeceira, deixando nela livros, cadernos e o pijama. Demorei a associar a mania a você. Demorei quase seis meses até perceber. E precisei de pouco mais de um ano para começar a ver a mania se dissipando lentamente, como se te empurrasse a cada dia mais para fora dela, mas sem querer interromper seu sono. O dia que eu acordei com ela toda revirada, totalmente ocupada por mim, foi o primeiro que realmente te deixei ir, que me senti livre para prosseguir. Foi como se minha vida toda estivesse até então dividida, tudo pela metade. Foi esse dia que soube poder novamente amar.

Tenho tido um sonho recorrente de que dividimos a mesma casa, por pura coincidência. Nos conhecemos de vista de antes. Nos vemos raríssimas vezes. Não nos falamos nunca além de um eventual e burocrático bom dia. Mas são encontros tensos, como se quiséssemos nos falar e não conseguíssimos ou não pudéssemos.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

talvez a pior coisa que sobre aos próximos de um suicida seja a mistura da sensação de falta de amor suficiente e o medo, trazido e aumentado pela completa incapacidade de mudar a vontade alheia. nos que um suicida deixa para trás, a sensação de falta de amor é latente. o amor, que deveria ser capaz de salvar qualquer vida de si mesmo simplesmente falhou. o que sobra aos próximos de um suicida, mesmo antes deste os deixar para trás, é o medo intenso. medo da incapacidade. é impossível evitar que alguém aja contra si mesmo, isso é tudo que não se quer e daí vem o medo. vive-se um medo constante do esperado e indesejado. vive-se escravo.

o choque de descobrir velho e cada vez mais frágil quem se ama é tão forte quanto o tamanho do amor. entender a finitude da vida, evidenciada em um osso quebrado num tombo bobo, em uma gripe qualquer que evolui à pneumonia, em idas mais frequentes a hospitais e numa vida onde internação é quase rotina. é a morte desfilando seu poder e proximidade.


às vezes somos marcados sem perceber e só alguma recorrência da dor nos mostra onde e porque dessas marcas.

nem só de bruscas mortes é feito o suicídio. ele pode se revelar de maneira lenta, quase crônica. é a desistência da vida. um suicídio fundado na abdicacao de viver a vida. um suicídio vagaroso e crescente. é desse suicídio que me desespera mais ser testemunha. é esse que me tira o sono, que me enche de raiva, que me arrebata. é esse que me faz vazio, incapaz, inábil. como conviver com um suicida crônico entre os que mais se ama? tentando-se evitar o suicídio? tentando compreendê-lo, aceitá-lo? tentando esquecê-lo, pelo menos enquanto ele não se faz lembrar, quando não pula na cara em algum surto de doença? como falar disso com todos em volta? como?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

enquanto meus amigos vão enfileirando gata depois de gata, eu só penso em enfileirar data depois de data com você. não é a nossa primeira vez que eu busco mas sim a possibilidade de empurrar a última a cada dia mais para adiante, para que nunca chegue. não me basta ter-te, te quero por toda vida que me resta.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um amor findo deve ser tratado como uma espinha inflamada. Deve-se espreme-lo todo. Quando doer, esprema mais. Ate que o pus acabe e so sobre sangue. Deixe sangrar. Deixe sangrar bem, porque so assim para este amor não voltar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estar apaixonado é mandar alguma coisa engraçada para ela só para imaginá-la sorrindo ao ler

quarta-feira, 7 de novembro de 2012



com folhas de outono em plena primavera
é assim que me recebe a jabuticabeira da sala
todas as noites em que volto


quando me perguntaram pela primeira vê se eu sonhava em preto e branco ou em cores eu não entendi. meus sonhos sempre foram tao reais que não conseguia imaginar não te-las nunca, as cores, nos sonhos. lamentei por quem perguntou, pela perda de possibilidade e prazer do sonho bem sonhado. lembrei dessa historia estes últimos dias, quando sonhei com você. tinha sido uma noite boa, divertida, entre amigos. dormi pesado, com a leveza do sono bom. e ai veio você, invadindo tudo. chegou devagar, em meio a tantos e a todos foi expulsando, para terminar somente nos dois. me impregnou com seu cheiro, mais forte pelo cabelo ainda molhado, como te gosto mais, e com seu gosto, que me tira os dois pés do chão, sempre. foi a primeira vez que sonhei com cheiros e gostos, que de tao reais, deixaram rastro em minha cama. senti seu cheiro em meu travesseiro por dias seguidos, tao presente que ainda fico na duvida se foi do sonho ou se você que deixou-o aqui.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

mais de quinhentos quilômetros deviam nos separar. cá estava eu, ao som de ondas a bater, na forte brisa do mar. distraído de você pelo mar e pela música. talvez pela distância. principalmente pela impossibilidade. foi quando o mar passou a soprar seu cheiro de saída do banho. cabelo molhado e solto. pele úmida. gosto só seu, toda. e foi tão real, tão seu o cheiro que só eu sentia que me senti num conto de ggm. mais: que voltei a acreditar no amor.

a primeira paixao depois da ultima é libertadora. vitória do sentimento sobre a desconfiança da impossibilidade.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012


a sua na minha
a minha no seu
a minha na sua
a sua no meu

a sua, minha
a minha no seu
a minha, sua
a sua no meu

sábado, 30 de junho de 2012

as time goes by and i grow old things became more clear. or at least i get more confident about my opinion. somebody might call it overconfidence. i´d rather say experience. the thing is that i used to be confused regarding love and passion. and the difference is simple: love is will/desire and passion is need. i need you (i´m in love with you). i want you (i - might - love you). as simple as that.

sábado, 23 de junho de 2012

sinceridade não se paga
nesse mundo, não
sinceridade é nada
nesse mundo cão
a minha volta, as pessoas se mostram em seu estado mais cru: é a embriaguez pelo excesso de vinho que derruba as regras e aniquila os superegos. dionisíaco é o estado humano que mais me encanta. liberdade não é libertinagem (o que é o conceito de libertinagem senão uma tentativa de controle social?).

em uma mesa de mais de dez, mulheres embriagam-se e celebram a amizade. bff: best friends for ever. pero no mucho. nas intermitentes despedidas, as rixas ficam evidentes a qualquer voyeur: é na cara que faz-se ao abraçar que muito dos reais (e piores) sentimentos se evidenciam (não há nada mais falso que o falso abraço). inimizades em série ficam claras, por namorados roubados, corações partidos ou até brigas menores mas que deixaram grandes marcas. o sentimento de traição nem sempre é proporcional ao tamanho do problema. brigas que existem ainda apesar de muitas causas terem sido esquecidas.

ao lado, duas advogadas passam um contrato marcado. tomara que sejam. e tomara que seja, porque poucas coisas são piores do que marcar um documento (no caso de contrato, perdoa-se por ser comum à profissão, mesmo não se perdoando a profissão). amarrações em texto. regras de convivência. limites forçados. amarras em regras. talvez seja este o problema do casamento: a formalização em documento do que se quer fazer por sentimento, por ser a única coisa que se quer, a única que parece a possível: estar juntos. nada é mais bonito do que o compromisso diário e contínuo. é todo dia acordar e agradecer por ela estar ao seu lado. e só por isso estarem juntos. sem amarras ou compromissos morais, sociais ou documentais. porque acordar ao lado de quem não se quer, principalmente seguidamente, é sofrimento pior do que merecemos.

o casal da frente. o casal me lembra de uma tia minha, solteira e a quem tenho especial carinho, irmã e amicíssima de meu pai, que se vendo com ele em uma enorme mesa lhe disse: "zé, não podemos ficar em silêncio não, porque senão todos vão achar que somos casados!". muito do mundo resumido em uma frase. casais que não se gostam: separem-se! casais que não se admiram: separem-se! casais que não se aturam: separem-se! casais que não sabem: separem-se! agora! hoje e sempre: separem-se! ficar juntos é para poucos ou por pouco tempo. os opostos se atraem exatamente antes de se afastarem. felicidade não é estar acompanhado e sim o estarem com quem se quer, verdadeiramente. grande amigo meu genialmente definiu nossa amizade da vida toda: "amigo, cm você o silêncio não incomoda". podemos ter assunto por seguidas horas ininterruptas ou por pouquíssimo tempo. mas somos amigos sempre e como poucos. mas mesmo no silêncio, a intimidade sempre é visível. ao casal da frente, ao contrário, não falta só assunto. falta carinho. falta intimidade. separem-se e sejam felizes para sempre ou vivam juntos tristemente até quando deus quiser ou a coragem aparecer.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

eu sempre me emociono vendo gente mais velha feliz. me encanta um sorriso de uma velhinha, um abraco de um velhinho. e nesse último carnaval eu tive a sorte de ir ao camarote da velha guarda. e foi emocionante. a troca de carinhos entre as alas da velha guarda das escolas e o camarote, entre os velhinhos do camarote. os arrepios aparentes à passagem das baterias. é só disso que deveríamos precisar para ir adiante e felizes. é só o que preciso.
poemo-me
a seu pedido
sempre que posso
sempre que cria

poemo-me
em suas fotos
com versos de outros
maravilha!

poemo-me
como inspira
poesia sua a um perdido
só alegria
costumo chegar tarde em casa. prefiro isso ao trânsito do rush. fisicamente ok, mas tem acontecido muito de muitas vezes completamente extenuado. emocionalmente abalado. não com a vida, nem o trabalho, pelo contrário. mas com gente. pode ser coincidência, falta de sorte. mas tem acontecido com recorrência. amizades sendo rompidas por motivos que não merecem, famílias sendo destruídas sem motivo. brigas. traições mil. tem dia que são tantas ao mesmo tempo que simplesmente me tranco em casa depois. não leio emails, não atendo telefonemas, não mando mensagens. não falo com absolutamente ninguém e por um motivo simples: eu tenho um limite de coisas ruins que eu posso ver por dia. e quando este bate, só o isolamento salva. o isolamento, a música e a leitura. porque nesses dias, até a escrita é inviabilizada. até para falar de ódio é preciso de um pouco de amor no coração, nem que pelo contraste. e nesses dias, a verdade é que o meu fica seco, completamente zerado. amor temporariamente, com razão aniquilado. nesses dias torço muito para que as que textos lindos escrevem tenham tido alguma inspiração. leituras prazerosas e músicas gostosas. sem isso acho que seria capaz de fazer uma guerra.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu decidi que será no aeroporto ou voando que nos encontraremos de novo. Se o fizermos. Não ligarei nem escreverei. Não atenderei nem responderei também. Caberá a sorte e somente a ela decidir. Tenho viajado por todo o país, quase todos os dias e sei que você também viaja muito, mesmo que muitas vezes para o mesmo lugar. Atrasos dos vôos podem se transformar em mais tempo juntos. Confesso que sempre que perco um vôo ou o vejo atrasado torço para te ver. Mas espero que entenda, preciso de um sinal da sorte que justifique o risco, que de confiança ao passo próximo. Que nos encontremos logo. Com amor, Gustavo.


domingo, 27 de maio de 2012

é como se desde aquele dia os rostos tenham todos embaçado. como se tudo estivesse fora de foco. desde então não tem uma nova que eu tenha conseguido guardar, nem o suficiente para depois lembrar. sempre tão pouco que nem nos sonhos consigo identificar.

domingo, 6 de maio de 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

costura mal feita
esgarçada
fenda aberta
nunca fechada

talvez a transição mais marcante da vida do homem seja o momento em que ele descobre seu pai como humano e não mais super herói. olhá-lo pela primeira vez como alguém sujeito à falhas. com defeitos. cometendo erros. feliz ou triste. carne, osso e alma. desse dia em diante, inevitavelmente, cada menino é mais homem.

mais um
livro lido
caminho novo
até então desconhecido
palavras velhas
mas dignas
mais um choro
ao final
ponto

nada mal

sexta-feira, 27 de abril de 2012

eu fico assim
quando quero te ver
e não posso
penso em poemas
mensagens
e tudo mais
que possa me fazer de
troço

vida:
mundanas,
coisas das mais puritanas
às mais ainda
profanas
era casado
e só por isso
a atraía

apaixonado
pela mulher
ela entendia

dilacerado
de culpa
o que ela queria
de que vale
a reza
se a vida
é relva

se fala
mas vive
do oposto
é selva
perdoa
como eu
perdoei

mesmo que doa
como eu
doei
das entranhas
surge, cru
o sentimento

padecendo
surge, nú
pressentimento

sábado, 14 de abril de 2012

faz tão pouco tempo que eu tentava te convencer a não ter medo. tão pouco tempo que, com orgulho, eu te dizia para se entregar como eu me entrego. foi quase ontem que te falei o quão boa você é, além de linda. do quanto tantos te adoram e te desejam. do quanto é querida. de quão gostoso é querer estar. me quebraria mil vezes e me levantaria no dia seguinte à milésima com a mesma disposição para a próxima paixão. faça o mesmo, te falei. e não é que tão pouco tempo depois desse dia me pego como você.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

escrevo e apago uma mensagem. disco seu numero e cancelo a chamada. mas não adianta que nada, nada tira de mim de você a saudade.
dizem que nasce uma nova estrela para cada poeta que nasce. já me disseram também que a cada poeta morto, morre uma estrela. eu acredito que cada poeta é ou tem uma estrela e, portanto, ela nasce e morre com ele.
a morte do último poeta que acompanhei, de longe e sem conhecer, mas indiretamente por manifestações de seus amigos e admiradores me levou a novos (para mim) conceitos e crenças, as quais exponho:
- poeta é lexicógrafo da vida.e daí vem a urgência de todos os poetas por ela. só se explica o que se conhece e só se conhece vivendo. ninguém entende de amor sem ter amado. de paixão sem se apaixonado. de amigo sem ter amigo. de porre sem ter bebido.
- poesia é dicionário ilustrado. é o máximo que se pode ter sem ter-se. é onde mais perto chegamos do tamanho de viver
- a vida urge e só a aproveita quem a vive com a merecia urgência.
- (a ser completado...)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

balé de improviso, onde coreógrafo não tem vez. pas de deux descoordenado, com a condução invertendo-se a todo tempo. altruísmo e egoísmo convivendo em harmonia. fundamentais. o prazer se dá tanto em gozar quanto em fazer gozar.
o beijo é mais pleno no coito. o sentimento mais sincero. pode-se amar alguém profundamente por tempo determinado. pelo tempo que durar o sexo. repetição pode levar à perfeição. ou à exaustão. depende do tempo que durar a paixão. na cama não há lugar para ensaio, o jogo é sempre à vera.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

diva
divina
mas se foi

foi tão cedo ela
você nem imagina.


the only truth in life is that everything is within yourself. you are the one that makes you good or bad. you are the one making you ugly or beautiful. fat or skinny. only you are responsible for your happiness. and sadness. and all the rest. make your moments. make your opinions. make your destiny. fate is what you make with life and not what makes life.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

do crime
de morte matada
da minha solidão
quero que sejas
a mandante

amando-me
sempre
a cada instante