domingo, 24 de fevereiro de 2013

confesso
o desânimo
com todo o
processo

réu kafkiano
julgamento
além de público,
leviano

sábado, 16 de fevereiro de 2013

toma a rédea
da tua vida
antes que seja tarde
demais

toma a rédea
escolhe o caminho
que só o caminho importa
quando a morte
é o que o futuro
nos traz
não quero seu passado
o que ficou
quero seu presente
e seu porvir

não quero o pronto
mesmo reboco
quero o nem começado
que você nem imaginou

te quero
daqui pra diante
até que o passado
sem nós
seja passado distante
vira lata

os olhos tristes
apesar de bonito,
cabisbaixo
com auto estima
carregando gerações
de humilhação
prefiro prata
a ouro
modéstia, mesmo que falsa
à auto afirmação
exposição
à proteção

prefiro amor
à paixão

a presença
converte-se em
ausência
todos
longe de todos
com os todos
de longe

confundem
a passagem do tempo
com a vida
quando para viver
é fundamental estar
presente

um velho poeta
conhecedor das estrelas
foi quem me ensinou
que amor
não tem idade
nem validade
que amor de verdade
é o que persiste
que insiste, sobretudo
mas que reconhece
se defronte um muro
que amor só pula
a dois
que o maior amor do mundo
sozinho
é pequeno
que não é na luta
que se ganha no amor
mas na entrega
amor não é esporte
não é combate
amor é até a morte
gentileza
amor é consorte
oração

se estás nas plantas
que tanto gostava
comigo estarás

se estás nas palavras
que tanto procurava
comigo estarás

se estás nos valores
que tanto pregava
comigo estarás

se eras amor
como demonstrava
comigo sempre estarás

o vento constante que não dá trégua e traz um quê de inóspito às lindas paisagens. as linhas infinitas de areia, esculpidas pelo incansável vento leste e pelo mar. paisagens móveis. casas enterradas, barcos suspensos. as coisas por vezes nos lugares que não são seus. permanência fluida. aridez, mesmo com um mundo de água à frente. bichos quase esqueléticos e consternados. vê-se a consternação na cara dos jegues, das vacas e dos cachorros que perambulam e pastam soltos. o ritmo lento da vida, onde urgência é um conceito desconhecido. rostos repousados na janela como as namoradeiras de barro. por todos os lados e em todas as casas, redes, sempre cheias. simpatia autêntica. vaidade. nas roupas engomadas, no ajeitar dos cabelos para as fotos. nas poses. uma vaidade tão pura que não narcísica, como se tivesse por propósito único ao outro agradar. nordeste que pouco conheço mas sei que hei de muitas outras vezes voltar.










sábado, 26 de janeiro de 2013


noites mal dormidas
por angústias
quero-as todas
as suas
e também as boas
não só de dia
com verdadeiras
ou nem tanto
alegrias
mas também
por toda noite
dividir a cama
e os demônios
que te habitam

domingo, 13 de janeiro de 2013


esses dias divididos
entre a espera
e a lamentação
sem espaço
para qualquer
outra sensação
a dor
insuportável
pelo tempo
ou tamanho
sem ceder
paralisa
sem nada
a sedar
tentativas
de interrupção
em vão
vão de imprimir
culpa
a perder a razão
e nada funciona
nada diminui
essa solidão

sábado, 12 de janeiro de 2013

A mais evidente presença sua que me restou foi a estranha mania de só dormir em metade da cama. Mesmo depois de não a dividirmos mais, eu a dividia sozinho. Religiosamente. Tanto que passei a usar a sua metade como outra mesa de cabeceira, deixando nela livros, cadernos e o pijama. Demorei a associar a mania a você. Demorei quase seis meses até perceber. E precisei de pouco mais de um ano para começar a ver a mania se dissipando lentamente, como se te empurrasse a cada dia mais para fora dela, mas sem querer interromper seu sono. O dia que eu acordei com ela toda revirada, totalmente ocupada por mim, foi o primeiro que realmente te deixei ir, que me senti livre para prosseguir. Foi como se minha vida toda estivesse até então dividida, tudo pela metade. Foi esse dia que soube poder novamente amar.

Tenho tido um sonho recorrente de que dividimos a mesma casa, por pura coincidência. Nos conhecemos de vista de antes. Nos vemos raríssimas vezes. Não nos falamos nunca além de um eventual e burocrático bom dia. Mas são encontros tensos, como se quiséssemos nos falar e não conseguíssimos ou não pudéssemos.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

talvez a pior coisa que sobre aos próximos de um suicida seja a mistura da sensação de falta de amor suficiente e o medo, trazido e aumentado pela completa incapacidade de mudar a vontade alheia. nos que um suicida deixa para trás, a sensação de falta de amor é latente. o amor, que deveria ser capaz de salvar qualquer vida de si mesmo simplesmente falhou. o que sobra aos próximos de um suicida, mesmo antes deste os deixar para trás, é o medo intenso. medo da incapacidade. é impossível evitar que alguém aja contra si mesmo, isso é tudo que não se quer e daí vem o medo. vive-se um medo constante do esperado e indesejado. vive-se escravo.

o choque de descobrir velho e cada vez mais frágil quem se ama é tão forte quanto o tamanho do amor. entender a finitude da vida, evidenciada em um osso quebrado num tombo bobo, em uma gripe qualquer que evolui à pneumonia, em idas mais frequentes a hospitais e numa vida onde internação é quase rotina. é a morte desfilando seu poder e proximidade.


às vezes somos marcados sem perceber e só alguma recorrência da dor nos mostra onde e porque dessas marcas.

nem só de bruscas mortes é feito o suicídio. ele pode se revelar de maneira lenta, quase crônica. é a desistência da vida. um suicídio fundado na abdicacao de viver a vida. um suicídio vagaroso e crescente. é desse suicídio que me desespera mais ser testemunha. é esse que me tira o sono, que me enche de raiva, que me arrebata. é esse que me faz vazio, incapaz, inábil. como conviver com um suicida crônico entre os que mais se ama? tentando-se evitar o suicídio? tentando compreendê-lo, aceitá-lo? tentando esquecê-lo, pelo menos enquanto ele não se faz lembrar, quando não pula na cara em algum surto de doença? como falar disso com todos em volta? como?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

enquanto meus amigos vão enfileirando gata depois de gata, eu só penso em enfileirar data depois de data com você. não é a nossa primeira vez que eu busco mas sim a possibilidade de empurrar a última a cada dia mais para adiante, para que nunca chegue. não me basta ter-te, te quero por toda vida que me resta.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um amor findo deve ser tratado como uma espinha inflamada. Deve-se espreme-lo todo. Quando doer, esprema mais. Ate que o pus acabe e so sobre sangue. Deixe sangrar. Deixe sangrar bem, porque so assim para este amor não voltar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estar apaixonado é mandar alguma coisa engraçada para ela só para imaginá-la sorrindo ao ler

quarta-feira, 7 de novembro de 2012



com folhas de outono em plena primavera
é assim que me recebe a jabuticabeira da sala
todas as noites em que volto


quando me perguntaram pela primeira vê se eu sonhava em preto e branco ou em cores eu não entendi. meus sonhos sempre foram tao reais que não conseguia imaginar não te-las nunca, as cores, nos sonhos. lamentei por quem perguntou, pela perda de possibilidade e prazer do sonho bem sonhado. lembrei dessa historia estes últimos dias, quando sonhei com você. tinha sido uma noite boa, divertida, entre amigos. dormi pesado, com a leveza do sono bom. e ai veio você, invadindo tudo. chegou devagar, em meio a tantos e a todos foi expulsando, para terminar somente nos dois. me impregnou com seu cheiro, mais forte pelo cabelo ainda molhado, como te gosto mais, e com seu gosto, que me tira os dois pés do chão, sempre. foi a primeira vez que sonhei com cheiros e gostos, que de tao reais, deixaram rastro em minha cama. senti seu cheiro em meu travesseiro por dias seguidos, tao presente que ainda fico na duvida se foi do sonho ou se você que deixou-o aqui.