sexta-feira, 29 de março de 2013


eu cor
to
eu cur
to
eu su
mo
eu a
mo
e como
você

eu corto
eu curto
eu sumo
eu como
e como
eu amo
você

esse é um poema
rasgado
de corte fundo
destruído
poema acabado
sem graça
fraco
finito
como meu eu
desde que mantenho
meus sentimentos todos
escondidos
às sete chaves
trancados

me peguei fugindo
desesperadamente
de você
não fugia do frio
da dor
ou do que
de ruim
no fim
sei
vai acontecer
fujo de ti
pelo durante
por todos os carinhos
cumplicidade
fujo da felicidade
da completude
fujo como louco
do nosso amor
evito na fuga
a inebriante paixão
que sei
estamos fadados
a viver

desde que atrás
de um certo ar blasé
me escondo
que protejo
por preguiça
medo
ou falta de
genuíno desejo
meu coração
de arroubos
desde que fujo
de todas as paixões
iniciais
potenciais
desde que não me rasgo
não me mordo
nem me viro do avesso
sofro ou amo
com todo
com tudo
desde que desisti
não me iludo
não tento e me afundo
num preto lodo
e vou secando
secando
secando

terça-feira, 19 de março de 2013


sou uma fraude
tão falsa
que mais indefinida
que o artigo
que a precede
tão rasa
que qualquer um
que me vê
já percebe

sou todo fraude
quando finjo
não te querer
sou fraude maior
quando te amo
até não mais caber

você era o motivo
que eu precisava
pra todo dia
voltar cedo
pra casa

quarta-feira, 13 de março de 2013

pequenos e rasos
cortes
me infestam
me ardem
e se não sangram
me provam viver
como se para saber-se
vivo
bastasse doer
se por fora rio
se é isso que vês
não vês o frio
que está a fazer

se por fora rio
se estou feliz para você
me perdes o trio
fundos cortes,
aguda dor,
eu, a esmorecer

domingo, 24 de fevereiro de 2013

infeliz, era assim que estava. e me deixava claro em palavras comparadas. comparações sempre: com ele era mais calmo. ele era mais alto. sempre foi mais valente. com ele, era uma vida de casa própria. uma vida de casa própria. foi essa a comparação que me fez ir embora e nunca mais voltar. beleza, valentia, traços qualquer de personalidade, condições de sucesso, nada me marcou tanto quanto uma vida de casa própria. sonhei que te larguei porque o que mais você sentia falta nele era a segurança de não ter que pagar aluguel todo mês. achei pouco.
confesso
o desânimo
com todo o
processo

réu kafkiano
julgamento
além de público,
leviano

sábado, 16 de fevereiro de 2013

toma a rédea
da tua vida
antes que seja tarde
demais

toma a rédea
escolhe o caminho
que só o caminho importa
quando a morte
é o que o futuro
nos traz
não quero seu passado
o que ficou
quero seu presente
e seu porvir

não quero o pronto
mesmo reboco
quero o nem começado
que você nem imaginou

te quero
daqui pra diante
até que o passado
sem nós
seja passado distante
vira lata

os olhos tristes
apesar de bonito,
cabisbaixo
com auto estima
carregando gerações
de humilhação
prefiro prata
a ouro
modéstia, mesmo que falsa
à auto afirmação
exposição
à proteção

prefiro amor
à paixão

a presença
converte-se em
ausência
todos
longe de todos
com os todos
de longe

confundem
a passagem do tempo
com a vida
quando para viver
é fundamental estar
presente

um velho poeta
conhecedor das estrelas
foi quem me ensinou
que amor
não tem idade
nem validade
que amor de verdade
é o que persiste
que insiste, sobretudo
mas que reconhece
se defronte um muro
que amor só pula
a dois
que o maior amor do mundo
sozinho
é pequeno
que não é na luta
que se ganha no amor
mas na entrega
amor não é esporte
não é combate
amor é até a morte
gentileza
amor é consorte
oração

se estás nas plantas
que tanto gostava
comigo estarás

se estás nas palavras
que tanto procurava
comigo estarás

se estás nos valores
que tanto pregava
comigo estarás

se eras amor
como demonstrava
comigo sempre estarás

o vento constante que não dá trégua e traz um quê de inóspito às lindas paisagens. as linhas infinitas de areia, esculpidas pelo incansável vento leste e pelo mar. paisagens móveis. casas enterradas, barcos suspensos. as coisas por vezes nos lugares que não são seus. permanência fluida. aridez, mesmo com um mundo de água à frente. bichos quase esqueléticos e consternados. vê-se a consternação na cara dos jegues, das vacas e dos cachorros que perambulam e pastam soltos. o ritmo lento da vida, onde urgência é um conceito desconhecido. rostos repousados na janela como as namoradeiras de barro. por todos os lados e em todas as casas, redes, sempre cheias. simpatia autêntica. vaidade. nas roupas engomadas, no ajeitar dos cabelos para as fotos. nas poses. uma vaidade tão pura que não narcísica, como se tivesse por propósito único ao outro agradar. nordeste que pouco conheço mas sei que hei de muitas outras vezes voltar.