o céu completamente azul, numa cor só possível depois da chuva que caiu, recortado pela montanha coberta de verde, mais praquele escuro atlântico. o barulho das ondas do mar quebrando ao fundo (estou de costas para o mar, de frente para o sol). a leve embriaguez da vodka e da cerveja. o papo gostoso, íntimo e essencial como só se chega quando se ama (e neste caso, é amor infinito, incondicional, de família - um amor que tem um tamanho pra uma discussão só dele - e hoje eu quero discutir você). e a sua imagem me surge. na verdade primeiro me surgiu seu gosto, seu cheiro. senti pela memória sua pele na minha. meu pé no seu pé, subindo minha coxa na sua, o resto de mim em você, até meus dedos, emaranhado em seus cabelos tão finos, tão lindos. nosso sono, tão real. nossa noite inusitada no que seria um dia banal. e nosso afastamento sem propósito, sem motivo. você se escorrendo pelas minhas mãos, líquida, turva. eu não fecho meus dedos e deixo-te ir no que talvez tenha sido a maior perda primária da minha vida. você escorreu de mim e se tornou o maior amor que eu não vivi.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
sábado, 19 de abril de 2014
a mãe da nina
nina tem quatro meses e meio e os olhinhos puxados da mãe. não puxados como uma oriental, mas bastante esticados para uma ocidental.
nina sorri, embaixo de uma cobertura plástica que a protege da chuva.
(chove muito hoje, uma chuva forte que veio de repente).
a mãe da nina atravessa a rua com ela, lutando contra buracos, poças e o desequilíbrio do guarda-chuva pesado, que toma uma mão que deveria estar ajudando a empurrar o carrinho. e mesmo com todas essas lutas, a mãe da nina ri. mas não é só pelo mundo: a mãe da nina ri para mim.
deixo-a passar e ela segue seu caminho em meio a obstáculos e dificuldades pelas calçadas que parecem feitas para alagar e dificultar, nunca para ajudar.
não resisto e me ofereço para segurar seu guarda-chuva. a mãe da nina, que não toma mais chuva, está feliz, um pouco encantada, mas principalmente aliviada pelo aumento de conforto da viagem da nina. se nina está bem, sua mãe está bem também.
ajudo-a até seu carro, que parte em direção ao humaitá, sem perguntar seu nome, sem pedir seu telefone.
a mãe da nina é a mais bonita das moças que apareceu na minha vida, entre um dia de shopping da gávea e uma chuva. é a mulher que eu queria para mim. mas deixo-a ir sem saber seu nome, sua rua ou qualquer coisa que o valha. tomara que o pai da nina valorize o tesouro que tem.
nina tem quatro meses e meio e os olhinhos puxados da mãe. não puxados como uma oriental, mas bastante esticados para uma ocidental.
nina sorri, embaixo de uma cobertura plástica que a protege da chuva.
(chove muito hoje, uma chuva forte que veio de repente).
a mãe da nina atravessa a rua com ela, lutando contra buracos, poças e o desequilíbrio do guarda-chuva pesado, que toma uma mão que deveria estar ajudando a empurrar o carrinho. e mesmo com todas essas lutas, a mãe da nina ri. mas não é só pelo mundo: a mãe da nina ri para mim.
deixo-a passar e ela segue seu caminho em meio a obstáculos e dificuldades pelas calçadas que parecem feitas para alagar e dificultar, nunca para ajudar.
não resisto e me ofereço para segurar seu guarda-chuva. a mãe da nina, que não toma mais chuva, está feliz, um pouco encantada, mas principalmente aliviada pelo aumento de conforto da viagem da nina. se nina está bem, sua mãe está bem também.
ajudo-a até seu carro, que parte em direção ao humaitá, sem perguntar seu nome, sem pedir seu telefone.
a mãe da nina é a mais bonita das moças que apareceu na minha vida, entre um dia de shopping da gávea e uma chuva. é a mulher que eu queria para mim. mas deixo-a ir sem saber seu nome, sua rua ou qualquer coisa que o valha. tomara que o pai da nina valorize o tesouro que tem.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
a primeira vez que eu ouvi a história do palitinho foi da boca dela, aquele tipo de pessoa que tem tanta bondade que eu me pergunto logo o porque da sorte de tê-la como amiga. sorte maior só tê-la toda como tive. a história do palitinho: somos metade de palitos de picolé e nossa metade está por aí. e se encaixa perfeitamente. só uma metade pra cada palito, pra cada um de nós. e como o palito é de madeira, quanto a mais metades erradas tentarmos nos juntar, menor nossa chance de encontrarmos nossa verdadeira metade. a tentativa errada desgasta, amassa as arestas e passamos a não nos encaixar mais nem mesmo na metade perfeita pra nós. escutei essa história em 2001/2002. tinha então vinte e poucos anos e toda arrogância da juventude, pelo menos da minha. não concordava com a tese. me via mais como uma metade dura, inquebrável. e fui testando metade depois de metade. em minha defesa, posso dizer que acreditei piamente que cada uma delas era a metade. hoje vivo o conflito de me sentir finalmente pronto à outra metade, porém só sendo o que sou pelas metades que não foram. se acreditar que sou palitinho de madeira, já perdi meu encaixe. acreditando no que acredito, não perdi o encaixe, mais ganhei um desgaste: como acreditar que um novo amor é o amor depois de tantos amores? e aí talvez eu compreenda a história: os desgastes, os sofrimentos podem nos fechar por completo se não nos esforçarmos muito a permanecermos abertos. se não formos resilientes ou crentes o suficiente. e talvez aí resida a verdade da história, mesmo que não aplicável a todos (ou pelo menos, a mim).
sexta-feira, 11 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
me torço, me espremo e não sai nada. estou seco, por completo. tenho saudades de ti e não consigo te chorar. conheço quem poderia me acompanhar e não sou capaz de me entregar. e não é porque tenho medo. é por essa secura, meu coração duro deste deserto que é a longa falta do amor. deliro em desespero. vejo oásis onde água não há. miragem do que sei é só o que pode novamente me encharcar. me debato neste calor, tento respirar. mas sou bicho d'água, estou seco e chuva pouca não pode ajudar. preciso de enchente, preciso nadar. estou seco e só o (a)mar pode me salvar.
sábado, 5 de abril de 2014
domingo, 23 de março de 2014
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