terça-feira, 10 de junho de 2014

você me trouxe
como antes
a temperança
mesmo que leve
e mais me deu de volta
hoje com você
sou todo amor
inundado transbordo
esperança

sexta-feira, 6 de junho de 2014

você fez meu tempo
que passava rápido
parar

eu parei pra ver
você no seu tempo
passar

terça-feira, 3 de junho de 2014

O voluntariado e a preeminência
(da desigualdade e da meritocracia)

“Quanto mais estruturalmente desigual uma sociedade, maior a participação da sorte em nosso destino.”

A questão não é filosófica, mas matemática. Quanto maior a diferença sociocultural em uma população, maior o salto necessário para superá-la. E maior a inércia econômica individual ou geracional.
Somos hoje, brasileiros, mais o que nascemos do que o que nos tornamos. Somos dos países mais desiguais do planeta, contando com um abismo entre os mais ricos e os mais pobres que vai além da distância econômica. Nosso sistema educacional disfuncional e carente aprofunda as diferenças iniciais ao invés de diminuí-las. A falta de estrutura ou ferramentas sociais cria um jogo onde o vencedor (no conceito amplamente aceito de sucesso, incluído o financeiro) é previamente conhecido. Onde a vitória é herdada. Um sistema tão evoluído (da pior maneira possível) de manutenção do status quo que pode ser comparado ao sistema indiano de castas.

Um dos professores mais importantes da minha vida me deu aula por apenas seis meses. Não era nem um pouco querido na faculdade (UFRJ), tido como tumultuador, questionador em excesso, marqueteiro e maluco. Sempre gostou da fama e fazia muito para aumentá-la, com brigas e arroubos em sala de aula, em assembleias de professores e onde mais achasse válido. Luis Eduardo Potsch é um cara a quem admiro, mesmo sem concordar com muito do que diz. Dentre as polêmicas frases e atitudes dele, duas me chamaram especial atenção: a primeira, que ele fazia com todas as turmas, era questionar o mérito de cada aluno que lá estava, alegando ser muito mais mérito dos pais na escolha de boas escolas do que do aluno ao passar; a segunda, de que o altruísmo sincero não existiria, sendo apenas egoísmo disfarçado. Ainda não tenho opinião formada sobre a segunda, mas o foco é a primeiro, esta que era especialmente dura para nós jovens recém entrados na faculdade cujo vestibular é dos mais concorridos do país. Era um golpe em nosso ego, à sensação de mérito próprio. O fato de que nem todos com a mesma chance que nós lá estava não invalida o argumento, ao contrário do que achávamos, já que estes todos tiveram também a mesma sorte. Invalidada estaria a tese se a maioria do que lá estudavam tivesse vindo de escolas públicas normais, descartadas as poucas que são consideradas centros de excelência como os Colégios de Aplicação da UERJ e UFRJ, os Pedro Segundo, Cefets e afins.

O questionamento à existência do mérito é também um questionamento ao conceito de meritocracia. Fato é que a meritocracia como a conhecemos ou como é amplamente aplicada tem três grandes defeitos: primeiro, a medição do resultado final, sem ajuste à situação inicial individual, é um contraditório suficiente para invalidar o conceito; segundo, o modelo usual de meritocracia não endereça a questão ética, ou a maneira como o objetivo é alcançado, igualando caminhos eticamente opostos que alcancem resultado único; e por fim, este modelo incentiva a busca por resultados de mais curto prazo, cujo componente sorte é muito mais importante para seu fim do que os de prazo mais longo (o resultado de um processo/sistema depende da combinação de sorte e habilidade/competência, apesar de geralmente considerarmos somente o segundo componente - talvez pelo primeiro ser menos controlável, menos mensurável).
Ao longo da minha experiência como voluntário e com voluntários, tive dos momentos mais sublimes. Na sorte do convívio com pessoas extraordinárias, cuja vontade, força, bondade, amor superaram o limite do imaginável, do possível, incluindo-se aí tanto os voluntários quanto as pessoas a quem os trabalhos se destinavam a ajudar. Na indescritível alegria de ver realizada a causa ou impacto pelo qual se trabalhava. No desejo sincero, amplo, irrestrito em ajudar por ajudar.

Mas vivenciei e presenciei também coisas não muito boas. E a pior de todas, a sensação de preeminência de quem lidava com alguém menos favorecido. Não evidenciada por descaso ou destrato, mas pelo olhar. Pelos pequenos gestos que transbordavam uma aura de superioridade, que exigiam em troca gratidão, gerando a sensação de uma dívida emocional. E nestes momentos me pegava pensando não se o trabalho voluntário vale a pena, porque isso é inquestionável, mas na motivação destas pessoas e na causa dessa sensação. E a cada minuto que passa, vejo na extrema desigualdade e na não compreensão dela e de seus efeitos por todos, a terra fértil onde prospera essa sensação.

(ao contrário do que pode parecer, este texto nasceu de duas fantásticas vivências recentes: à Dona Vera e ao Sonhar Acordado/Dia do Sonho, com muito carinho)
cada fio do seu cabelo
entrelaçado em minha mão
cada poro da sua pele
arrepiado em explosão
cada ida e volta do seu peito
em respiração
cada sua tremida de leve
nas batidas do seu coração
cada segundo da sua mente
sua constante reflexão
cada sorriso aberto
ah, a cada sorriso seu
me desfaço por ti
em arroubo
que louca paixão

segunda-feira, 2 de junho de 2014

o que tem
de curta
a vida
pode ter
de grande

a vida
que nos derrama
vê secura à volta
e clama
venham conosco
viver

viemos
de passado distante
vivemos
sem nós
claudicantes
hoje coletivo
meu
seu mais lindo sorriso
que se abre fácil
te entrega
toma todos
do santo ao ladrão
de assalto
bendito sorriso
quanta paixão

é vida
que transborda
é vida
saindo pelo ladrão
inunda todos à volta
em risos, choros
pura emoção
plenitude
tudo
menos senão

quinta-feira, 29 de maio de 2014

queria aqui publicamente registrar o dia em que me apaixonei por você: 28 de maio de 2014

sou dado a arroubos e paixões, que me tomam em séries cada vez mais espassadas. desde que te conheci que os trato como distrações ao amor definitivo que você me representa, mesmo quando distante, ausente. sei e não é de sonhar, tão pouco imaginar, o que o futuro, este que nos pertence, está a guardar. visualizo em detalhes como vidente, este crente na gente que sou. te sinto toda: das mãos mexendo em nervosismo ao abraço apertado que te acalma pela certeza do inevitável. sinto teu cheiro mesmo quando à léguas de mim. conheço teu gosto desde antes de sabê-lo só seu, prévio à qualquer conceito meu de paladar. escuto a música que é você mesmo quando no ambiente mais barulhento. nada é capaz de ofuscar sua presença em mim, entranhada que me está. temos a calma da certeza e da eternidade que nos espera e desde que paramos de nos perder, de nos fugir, temos também a urgência da vida, que nem um segundo queremos desperdiçar. eu, que era pântano de dúvidas e hesitações sou hoje bastião da certeza do nosso voar.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

não são mais épocas
dos quinze de fama
não
é tempo novo
do egoísmo
     da intolerância
            da infâmia
     
tempo sem razão
você me tira do sério
ao sorrir
sua simples presença
knock me off my feet

segunda-feira, 19 de maio de 2014

prana

energia universal
o texto bom
entre sorrisos
e choros
nas linhas e entre
linhas
águas a me refrigerar
uso muito
usarei sempre
sem parar
(uma homenagem aos livros e blogues que leio)

é como se os textos fossem a verdadeira revolução energética da humanidade: renováveis e inesgotáveis. como se o petróleo, nosso ou não, não fizesse mais sentido. para que veículos automotores se posso voar? se lendo-os, dou voltas ao mundo, vou do mais raso ao mais fundo. e as entrelinhas, estas benditas, fossem água gelada a me refrigerar. o impulso que me dá, dessa felicidade repentina, leve e inesgotável. basta começar a minguar que uma releitura a carrega por completo. uso mais que o recomendado, sem qualquer efeito colateral. uso pra sorrir e pra chorar. uso muito. usarei sempre, sem parar.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

segunda-feira, 5 de maio de 2014

baby
não confunda
gentileza
com submissão
se alguma coisa
faço melhor
que me abrir
é desaparecer
sem pistas
é sumir

sábado, 3 de maio de 2014

o tempo passa em meio a tantas informações rasas ou instáveis e penso em como gastamos tempo com as coisas menos importantes. o estágio atual da carreira, a faculdade que fizera. os sonhos profissionais e alguns materiais. tudo isso me atrai pouco e confesso às vezes perguntar em nome da burocracia romântica. em nome de te sentir sendo valorizada, alvo de interesse e curiosidade. mas a verdade é que não passa de atitude burocrática a minha. e desprendida de qualquer emoção real. das viagens suas, tenho real curiosidade. mas não pelo que viu ou onde passou e sim pelo que buscava e o que encontrou. pelas buscas pode-se conhecer alguém muito mais profundamente que pelas descobertas, estas frutos de externalidades incontroláveis. vamos e voltamos assuntos entre vinho e comida decente, num ambiente mais do que agradável e frio. não pela decoração, ao contrário, mas pela temperatura. Ouço neste frio sua história, mesmo que cuidadosamente recortada dada nossa falta de intimidade pelo nosso pouco tempo nosso. me interesso menos pelos fatos e mais por suas consequências em você. é o que vai me fazer sentir se seremos ou não uma dupla somada às nossas individualidades. a pele sua também me interessa. a sensação da minha mão na sua. seu gosto e seu beijo, muito me interessam e começam a me passar como será o resto, que antecipou mesmo antes de saber que foi. vou te entendendo e vejo sua necessidade de entrega, sua presença forte, densa. isso me atrai. disso gosto em você. isso diz-me muito sobre suas buscas. mas entre essas buscas, uma brusca parada. medo, seu medo que afasta o que mais gosta, o que mais procura. seu medo disfarçado de fastio. sua postura displicente, desconexa. seu disfarce tosco que vaza quando me beija. você pode tentar esconder-se o quanto quiser e conseguirá, desde que não me deixe te beijar. mas volto ao ponto que te observo e te vejo sem a menor ideia da minha real intenção, da minha grande atração: suas buscas, o que quero de você são suas buscas.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

quero chorar
raiva de mim
por te tratar
como princesa
pra depois
te ignorar
como única forma
de você me amar
quero chorar
porque só queria
te abraçar
te encher de carinho
de beijos
e todo eu
na minha completude
te amar
deixei de te
chamar
fingi não te
querer
te dei tchau
querendo te amar
te deixei
querendo ficar
só pra tentar
te fazer
se entregar

que pena