quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

talvez a pior coisa que sobre aos próximos de um suicida seja a mistura da sensação de falta de amor suficiente e o medo, trazido e aumentado pela completa incapacidade de mudar a vontade alheia. nos que um suicida deixa para trás, a sensação de falta de amor é latente. o amor, que deveria ser capaz de salvar qualquer vida de si mesmo simplesmente falhou. o que sobra aos próximos de um suicida, mesmo antes deste os deixar para trás, é o medo intenso. medo da incapacidade. é impossível evitar que alguém aja contra si mesmo, isso é tudo que não se quer e daí vem o medo. vive-se um medo constante do esperado e indesejado. vive-se escravo.

o choque de descobrir velho e cada vez mais frágil quem se ama é tão forte quanto o tamanho do amor. entender a finitude da vida, evidenciada em um osso quebrado num tombo bobo, em uma gripe qualquer que evolui à pneumonia, em idas mais frequentes a hospitais e numa vida onde internação é quase rotina. é a morte desfilando seu poder e proximidade.


às vezes somos marcados sem perceber e só alguma recorrência da dor nos mostra onde e porque dessas marcas.

nem só de bruscas mortes é feito o suicídio. ele pode se revelar de maneira lenta, quase crônica. é a desistência da vida. um suicídio fundado na abdicacao de viver a vida. um suicídio vagaroso e crescente. é desse suicídio que me desespera mais ser testemunha. é esse que me tira o sono, que me enche de raiva, que me arrebata. é esse que me faz vazio, incapaz, inábil. como conviver com um suicida crônico entre os que mais se ama? tentando-se evitar o suicídio? tentando compreendê-lo, aceitá-lo? tentando esquecê-lo, pelo menos enquanto ele não se faz lembrar, quando não pula na cara em algum surto de doença? como falar disso com todos em volta? como?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

enquanto meus amigos vão enfileirando gata depois de gata, eu só penso em enfileirar data depois de data com você. não é a nossa primeira vez que eu busco mas sim a possibilidade de empurrar a última a cada dia mais para adiante, para que nunca chegue. não me basta ter-te, te quero por toda vida que me resta.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um amor findo deve ser tratado como uma espinha inflamada. Deve-se espreme-lo todo. Quando doer, esprema mais. Ate que o pus acabe e so sobre sangue. Deixe sangrar. Deixe sangrar bem, porque so assim para este amor não voltar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estar apaixonado é mandar alguma coisa engraçada para ela só para imaginá-la sorrindo ao ler

quarta-feira, 7 de novembro de 2012



com folhas de outono em plena primavera
é assim que me recebe a jabuticabeira da sala
todas as noites em que volto


quando me perguntaram pela primeira vê se eu sonhava em preto e branco ou em cores eu não entendi. meus sonhos sempre foram tao reais que não conseguia imaginar não te-las nunca, as cores, nos sonhos. lamentei por quem perguntou, pela perda de possibilidade e prazer do sonho bem sonhado. lembrei dessa historia estes últimos dias, quando sonhei com você. tinha sido uma noite boa, divertida, entre amigos. dormi pesado, com a leveza do sono bom. e ai veio você, invadindo tudo. chegou devagar, em meio a tantos e a todos foi expulsando, para terminar somente nos dois. me impregnou com seu cheiro, mais forte pelo cabelo ainda molhado, como te gosto mais, e com seu gosto, que me tira os dois pés do chão, sempre. foi a primeira vez que sonhei com cheiros e gostos, que de tao reais, deixaram rastro em minha cama. senti seu cheiro em meu travesseiro por dias seguidos, tao presente que ainda fico na duvida se foi do sonho ou se você que deixou-o aqui.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

mais de quinhentos quilômetros deviam nos separar. cá estava eu, ao som de ondas a bater, na forte brisa do mar. distraído de você pelo mar e pela música. talvez pela distância. principalmente pela impossibilidade. foi quando o mar passou a soprar seu cheiro de saída do banho. cabelo molhado e solto. pele úmida. gosto só seu, toda. e foi tão real, tão seu o cheiro que só eu sentia que me senti num conto de ggm. mais: que voltei a acreditar no amor.

a primeira paixao depois da ultima é libertadora. vitória do sentimento sobre a desconfiança da impossibilidade.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012


a sua na minha
a minha no seu
a minha na sua
a sua no meu

a sua, minha
a minha no seu
a minha, sua
a sua no meu

sábado, 30 de junho de 2012

as time goes by and i grow old things became more clear. or at least i get more confident about my opinion. somebody might call it overconfidence. i´d rather say experience. the thing is that i used to be confused regarding love and passion. and the difference is simple: love is will/desire and passion is need. i need you (i´m in love with you). i want you (i - might - love you). as simple as that.

sábado, 23 de junho de 2012

sinceridade não se paga
nesse mundo, não
sinceridade é nada
nesse mundo cão
a minha volta, as pessoas se mostram em seu estado mais cru: é a embriaguez pelo excesso de vinho que derruba as regras e aniquila os superegos. dionisíaco é o estado humano que mais me encanta. liberdade não é libertinagem (o que é o conceito de libertinagem senão uma tentativa de controle social?).

em uma mesa de mais de dez, mulheres embriagam-se e celebram a amizade. bff: best friends for ever. pero no mucho. nas intermitentes despedidas, as rixas ficam evidentes a qualquer voyeur: é na cara que faz-se ao abraçar que muito dos reais (e piores) sentimentos se evidenciam (não há nada mais falso que o falso abraço). inimizades em série ficam claras, por namorados roubados, corações partidos ou até brigas menores mas que deixaram grandes marcas. o sentimento de traição nem sempre é proporcional ao tamanho do problema. brigas que existem ainda apesar de muitas causas terem sido esquecidas.

ao lado, duas advogadas passam um contrato marcado. tomara que sejam. e tomara que seja, porque poucas coisas são piores do que marcar um documento (no caso de contrato, perdoa-se por ser comum à profissão, mesmo não se perdoando a profissão). amarrações em texto. regras de convivência. limites forçados. amarras em regras. talvez seja este o problema do casamento: a formalização em documento do que se quer fazer por sentimento, por ser a única coisa que se quer, a única que parece a possível: estar juntos. nada é mais bonito do que o compromisso diário e contínuo. é todo dia acordar e agradecer por ela estar ao seu lado. e só por isso estarem juntos. sem amarras ou compromissos morais, sociais ou documentais. porque acordar ao lado de quem não se quer, principalmente seguidamente, é sofrimento pior do que merecemos.

o casal da frente. o casal me lembra de uma tia minha, solteira e a quem tenho especial carinho, irmã e amicíssima de meu pai, que se vendo com ele em uma enorme mesa lhe disse: "zé, não podemos ficar em silêncio não, porque senão todos vão achar que somos casados!". muito do mundo resumido em uma frase. casais que não se gostam: separem-se! casais que não se admiram: separem-se! casais que não se aturam: separem-se! casais que não sabem: separem-se! agora! hoje e sempre: separem-se! ficar juntos é para poucos ou por pouco tempo. os opostos se atraem exatamente antes de se afastarem. felicidade não é estar acompanhado e sim o estarem com quem se quer, verdadeiramente. grande amigo meu genialmente definiu nossa amizade da vida toda: "amigo, cm você o silêncio não incomoda". podemos ter assunto por seguidas horas ininterruptas ou por pouquíssimo tempo. mas somos amigos sempre e como poucos. mas mesmo no silêncio, a intimidade sempre é visível. ao casal da frente, ao contrário, não falta só assunto. falta carinho. falta intimidade. separem-se e sejam felizes para sempre ou vivam juntos tristemente até quando deus quiser ou a coragem aparecer.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

eu sempre me emociono vendo gente mais velha feliz. me encanta um sorriso de uma velhinha, um abraco de um velhinho. e nesse último carnaval eu tive a sorte de ir ao camarote da velha guarda. e foi emocionante. a troca de carinhos entre as alas da velha guarda das escolas e o camarote, entre os velhinhos do camarote. os arrepios aparentes à passagem das baterias. é só disso que deveríamos precisar para ir adiante e felizes. é só o que preciso.
poemo-me
a seu pedido
sempre que posso
sempre que cria

poemo-me
em suas fotos
com versos de outros
maravilha!

poemo-me
como inspira
poesia sua a um perdido
só alegria
costumo chegar tarde em casa. prefiro isso ao trânsito do rush. fisicamente ok, mas tem acontecido muito de muitas vezes completamente extenuado. emocionalmente abalado. não com a vida, nem o trabalho, pelo contrário. mas com gente. pode ser coincidência, falta de sorte. mas tem acontecido com recorrência. amizades sendo rompidas por motivos que não merecem, famílias sendo destruídas sem motivo. brigas. traições mil. tem dia que são tantas ao mesmo tempo que simplesmente me tranco em casa depois. não leio emails, não atendo telefonemas, não mando mensagens. não falo com absolutamente ninguém e por um motivo simples: eu tenho um limite de coisas ruins que eu posso ver por dia. e quando este bate, só o isolamento salva. o isolamento, a música e a leitura. porque nesses dias, até a escrita é inviabilizada. até para falar de ódio é preciso de um pouco de amor no coração, nem que pelo contraste. e nesses dias, a verdade é que o meu fica seco, completamente zerado. amor temporariamente, com razão aniquilado. nesses dias torço muito para que as que textos lindos escrevem tenham tido alguma inspiração. leituras prazerosas e músicas gostosas. sem isso acho que seria capaz de fazer uma guerra.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu decidi que será no aeroporto ou voando que nos encontraremos de novo. Se o fizermos. Não ligarei nem escreverei. Não atenderei nem responderei também. Caberá a sorte e somente a ela decidir. Tenho viajado por todo o país, quase todos os dias e sei que você também viaja muito, mesmo que muitas vezes para o mesmo lugar. Atrasos dos vôos podem se transformar em mais tempo juntos. Confesso que sempre que perco um vôo ou o vejo atrasado torço para te ver. Mas espero que entenda, preciso de um sinal da sorte que justifique o risco, que de confiança ao passo próximo. Que nos encontremos logo. Com amor, Gustavo.


domingo, 27 de maio de 2012

é como se desde aquele dia os rostos tenham todos embaçado. como se tudo estivesse fora de foco. desde então não tem uma nova que eu tenha conseguido guardar, nem o suficiente para depois lembrar. sempre tão pouco que nem nos sonhos consigo identificar.

domingo, 6 de maio de 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012