sexta-feira, 29 de março de 2013
desde que atrás
de um certo ar blasé
me escondo
que protejo
por preguiça
medo
ou falta de
genuíno desejo
meu coração
de arroubos
desde que fujo
de todas as paixões
iniciais
potenciais
desde que não me rasgo
não me mordo
nem me viro do avesso
sofro ou amo
com todo
com tudo
desde que desisti
não me iludo
não tento e me afundo
num preto lodo
e vou secando
secando
secando
terça-feira, 19 de março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
infeliz, era assim que estava. e me deixava claro em palavras comparadas. comparações sempre: com ele era mais calmo. ele era mais alto. sempre foi mais valente. com ele, era uma vida de casa própria. uma vida de casa própria. foi essa a comparação que me fez ir embora e nunca mais voltar. beleza, valentia, traços qualquer de personalidade, condições de sucesso, nada me marcou tanto quanto uma vida de casa própria. sonhei que te larguei porque o que mais você sentia falta nele era a segurança de não ter que pagar aluguel todo mês. achei pouco.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
um velho poeta
conhecedor das estrelas
foi quem me ensinou
que amor
não tem idade
nem validade
que amor de verdade
é o que persiste
que insiste, sobretudo
mas que reconhece
se defronte um muro
que amor só pula
a dois
que o maior amor do mundo
sozinho
é pequeno
que não é na luta
que se ganha no amor
mas na entrega
amor não é esporte
não é combate
amor é até a morte
gentileza
amor é consorte
o vento constante que não dá trégua e traz um quê de
inóspito às lindas paisagens. as linhas infinitas de areia, esculpidas pelo
incansável vento leste e pelo mar. paisagens móveis. casas enterradas, barcos
suspensos. as coisas por vezes nos lugares que não são seus. permanência
fluida. aridez, mesmo com um mundo de água à frente. bichos quase esqueléticos
e consternados. vê-se a consternação na cara dos jegues, das vacas e dos
cachorros que perambulam e pastam soltos. o ritmo lento da vida, onde urgência
é um conceito desconhecido. rostos repousados na janela como as namoradeiras de
barro. por todos os lados e em todas as casas, redes, sempre cheias. simpatia
autêntica. vaidade. nas roupas engomadas, no ajeitar dos cabelos para as fotos.
nas poses. uma vaidade tão pura que não narcísica, como se tivesse por
propósito único ao outro agradar. nordeste que pouco conheço mas sei que hei de
muitas outras vezes voltar.
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