quinta-feira, 17 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
estou no taxi e o motorista assovia uma musica qualquer, que toma de mim meus pensamentos, mais pela sua falta de harmonia do que pela qualidade, a ponto de que se a tentativa não fosse de acompanhar o que toca no rádio, eu não saberia do que se tratava o barulho. e penso em como, nos últimos tempos, assovios desprovidos de talento têm sido produzidos à minha volta e o quanto somos (sou) invadidos em nosso espaço pela falta de limite alheio, em melodias, risos e movimentos que, se não nos atentarmos, nos empurram para o canto de tudo, até que só nos sobrem subsolos em nosso próprio mundo, já sem os barulhos e movimentos. pergunto-me o quanto nosso espaço é nosso de direito ou se ele só existe se quem a nossa volta o perceber também, nos obrigando a nos mantermos sempre em posição de combate, buscando nada mais que o pouco que cremos merecer. e, como o isolamento não é alternativa viável, passamos nossos dias em doídas lutas pelo que deveria ser nosso de direito, mas que sem a briga, já estaria perdido.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
estou no taxi e o motorista assovia uma musica qualquer, que toma de mim meus pensamentos mais pela sua falta de harmonia do que pela qualidade, a ponto de que se a tentativa não fosse de acompanhar o que toca no rádio, eu não saberia do que se tratava o barulho. e penso como, nos últimos tempos, assovios desprovidos de talento têm sido produzidos à minha volta e o quanto somos (sou) invadidos em nosso espaço pela falta de limite alheio, em melodias, risos e movimentos que, se não nos atentarmos, nos empurram para o canto de tudo, até que só nos sobrem subsolos em nosso próprio mundo, já sem os barulhos e movimentos. pergunto-me o quanto nosso espaço é nosso de direito ou se ele só existe se quem a nossa volta o perceber também, nos obrigando a nos mantermos sempre em posição de combate, buscando nada mais que o pouco que cremos merecer e, como o isolamento não é alternativa viável, passamos nossos dias em combates doídos, lutando por nosso espaço que deveria ser nosso de direito, mas que sem a briga, já estaria perdido.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
the world is moving forward... how about you?
carrying some weight
altogether
even when things are not clear
classy steps
or sporty ones
on hills to be higher
or lower ones to be safer
on wheels to be faster
on flops as if not caring
in front or behind
together again
the best possible way
outdated
trendy
awry
hipster
preppies
quinta-feira, 20 de junho de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
sábado, 15 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
uma descarga de adrenalina invade meu sangue e traz consigo a ansiedade. é madrugada. de cima abaixo meus músculos enrijecem. acordo. são três e quarenta e dois da manhã. minha noite de sono acaba de terminar. sei que o sono não vem mais de forma natural, mas só intermitentemente e por extenuação total. desta vez acordei sem nenhum problema específico em mente. penso então em cada um dos que creio podem ter me trazido até aqui e vou resolvendo-os um a um em minha cabeça, criando uma lista de afazeres para assim que o dia raiar. a adrenalina diminui, a angústia é mais suportável, mas o sono profundo, este só voltará amanhã pela noite (e será pesado pelo cansaço acumulado, pelo menos até o meio da próxima madrugada). é a quarta vez na semana que acordo antes de precisar e o cansaço já se acumula e transparece em olheiras e bocejos ao longo do dia. o nível de concentração possível já é muito baixo e somado a ansiedade torna impossível qualquer leitura mais elaborada. os livros abandonados na cabeceira, parados, pela angústia tamanha. como tudo. como eu.
terça-feira, 11 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
a aeronave manobra em solo e parte de uma cabeceira em direção à outra, acelerando. olhando pela janela, vê-se a velocidade pela paisagem lateral, agora um imenso borrão verde escuro. o avião desgruda do solo e se põe a voar (meu medo de aviões vem do simples fato de o aço ser mais pesado que o ar e enquanto as leis da física explicam, o instinto não aceita). a cidade se apequena aos meus pés. todo nosso cotidiano cabe na palma da minha mão. nossas casas, nossos trabalhos, nossas semelhanças e diferenças. tudo está lá embaixo e diminui a cada minuto. estamos a dez mil pés, você ao meu lado é maior do que toda nossa vida. o voo ajusta minhas perspectivas (e espero, as suas). a porta do avião aberta, paraquedas às costas. só nos resta pular (afinal, para isso viemos até aqui). o plano: eu pulo antes e você vem em seguida. eu te espero no ar para nos encontrarmos ainda com o paraquedas fechado e aproveitarmos juntos e ao máximo a queda livre. puxamos juntos a corda de abertura e vamos lado a lado até o local do nosso pouso, até terra firme. pulo e olho para cima. você está na porta. te espero diminuindo ao máximo minha velocidade. te olho e fica a dúvida (só minha): será que vai se jogar? penso isso e te vejo já no ar, em queda livre, embicada em minha direção. estamos a quase duzentos quilômetros por hora, rostos esticados (deformados) pelo vento a bater. já estamos perto um do outro, braços se buscando e o vento insistindo em dificultar. mantemos a calma (já pulamos antes e sabemos que sem ela não conseguiremos), mas sem parar. estamos cada vez mais perto. já vejo sua mão pequena em detalhes, até que nos encontramos (pela velocidade, quase nos empurramos). minha mão esquerda na sua direita. mais um pouco e nossas quatro mãos se juntam e assim descemos até a hora de abrir o paraquedas: juntos, a mais de duzentos por hora.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
seu sorriso ecoa em mim como uma lembrança gostosa dos dias que eram só nossos. esse ecoar que traz junto seu cheiro, e me vem então sua nuca nua enquanto seus cabelos presos à minha mão e o gosto da sua orelha mordida depois do passeio da minha boca pela sua, pela nuca nua. e eu que sempre me senti tão perdido no mundo, num não pertencimento quase agudo, me achei em nós, no que somos, no que fomos e mais ainda no que seremos. não preciso de mapas, crenças ou magia. me bastam (me completam) você (nós), bons textos e poesia.
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