quinta-feira, 29 de maio de 2014

queria aqui publicamente registrar o dia em que me apaixonei por você: 28 de maio de 2014

sou dado a arroubos e paixões, que me tomam em séries cada vez mais espassadas. desde que te conheci que os trato como distrações ao amor definitivo que você me representa, mesmo quando distante, ausente. sei e não é de sonhar, tão pouco imaginar, o que o futuro, este que nos pertence, está a guardar. visualizo em detalhes como vidente, este crente na gente que sou. te sinto toda: das mãos mexendo em nervosismo ao abraço apertado que te acalma pela certeza do inevitável. sinto teu cheiro mesmo quando à léguas de mim. conheço teu gosto desde antes de sabê-lo só seu, prévio à qualquer conceito meu de paladar. escuto a música que é você mesmo quando no ambiente mais barulhento. nada é capaz de ofuscar sua presença em mim, entranhada que me está. temos a calma da certeza e da eternidade que nos espera e desde que paramos de nos perder, de nos fugir, temos também a urgência da vida, que nem um segundo queremos desperdiçar. eu, que era pântano de dúvidas e hesitações sou hoje bastião da certeza do nosso voar.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

não são mais épocas
dos quinze de fama
não
é tempo novo
do egoísmo
     da intolerância
            da infâmia
     
tempo sem razão
você me tira do sério
ao sorrir
sua simples presença
knock me off my feet

segunda-feira, 19 de maio de 2014

prana

energia universal
o texto bom
entre sorrisos
e choros
nas linhas e entre
linhas
águas a me refrigerar
uso muito
usarei sempre
sem parar
(uma homenagem aos livros e blogues que leio)

é como se os textos fossem a verdadeira revolução energética da humanidade: renováveis e inesgotáveis. como se o petróleo, nosso ou não, não fizesse mais sentido. para que veículos automotores se posso voar? se lendo-os, dou voltas ao mundo, vou do mais raso ao mais fundo. e as entrelinhas, estas benditas, fossem água gelada a me refrigerar. o impulso que me dá, dessa felicidade repentina, leve e inesgotável. basta começar a minguar que uma releitura a carrega por completo. uso mais que o recomendado, sem qualquer efeito colateral. uso pra sorrir e pra chorar. uso muito. usarei sempre, sem parar.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

segunda-feira, 5 de maio de 2014

baby
não confunda
gentileza
com submissão
se alguma coisa
faço melhor
que me abrir
é desaparecer
sem pistas
é sumir

sábado, 3 de maio de 2014

o tempo passa em meio a tantas informações rasas ou instáveis e penso em como gastamos tempo com as coisas menos importantes. o estágio atual da carreira, a faculdade que fizera. os sonhos profissionais e alguns materiais. tudo isso me atrai pouco e confesso às vezes perguntar em nome da burocracia romântica. em nome de te sentir sendo valorizada, alvo de interesse e curiosidade. mas a verdade é que não passa de atitude burocrática a minha. e desprendida de qualquer emoção real. das viagens suas, tenho real curiosidade. mas não pelo que viu ou onde passou e sim pelo que buscava e o que encontrou. pelas buscas pode-se conhecer alguém muito mais profundamente que pelas descobertas, estas frutos de externalidades incontroláveis. vamos e voltamos assuntos entre vinho e comida decente, num ambiente mais do que agradável e frio. não pela decoração, ao contrário, mas pela temperatura. Ouço neste frio sua história, mesmo que cuidadosamente recortada dada nossa falta de intimidade pelo nosso pouco tempo nosso. me interesso menos pelos fatos e mais por suas consequências em você. é o que vai me fazer sentir se seremos ou não uma dupla somada às nossas individualidades. a pele sua também me interessa. a sensação da minha mão na sua. seu gosto e seu beijo, muito me interessam e começam a me passar como será o resto, que antecipou mesmo antes de saber que foi. vou te entendendo e vejo sua necessidade de entrega, sua presença forte, densa. isso me atrai. disso gosto em você. isso diz-me muito sobre suas buscas. mas entre essas buscas, uma brusca parada. medo, seu medo que afasta o que mais gosta, o que mais procura. seu medo disfarçado de fastio. sua postura displicente, desconexa. seu disfarce tosco que vaza quando me beija. você pode tentar esconder-se o quanto quiser e conseguirá, desde que não me deixe te beijar. mas volto ao ponto que te observo e te vejo sem a menor ideia da minha real intenção, da minha grande atração: suas buscas, o que quero de você são suas buscas.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

quero chorar
raiva de mim
por te tratar
como princesa
pra depois
te ignorar
como única forma
de você me amar
quero chorar
porque só queria
te abraçar
te encher de carinho
de beijos
e todo eu
na minha completude
te amar
deixei de te
chamar
fingi não te
querer
te dei tchau
querendo te amar
te deixei
querendo ficar
só pra tentar
te fazer
se entregar

que pena

o céu completamente azul, numa cor só possível depois da chuva que caiu, recortado pela montanha coberta de verde, mais praquele escuro atlântico. o barulho das ondas do mar quebrando ao fundo (estou de costas para o mar, de frente para o sol). a leve embriaguez da vodka e da cerveja. o papo gostoso, íntimo e essencial como só se chega quando se ama (e neste caso, é amor infinito, incondicional, de família - um amor que tem um tamanho pra uma discussão só dele - e hoje eu quero discutir você). e a sua imagem me surge. na verdade primeiro me surgiu seu gosto, seu cheiro. senti pela memória sua pele na minha.  meu pé no seu pé, subindo minha coxa na sua, o resto de mim em você, até meus dedos, emaranhado em seus cabelos tão finos, tão lindos. nosso sono, tão real. nossa noite inusitada no que seria um dia banal. e nosso afastamento sem propósito, sem motivo. você se escorrendo pelas minhas mãos, líquida, turva. eu não fecho meus dedos e deixo-te ir no que talvez tenha sido a maior perda primária da minha vida. você escorreu de mim e se tornou o maior amor que eu não vivi.

choro sozinho
a chance perdida
de te amar
loucamente
como desimpedida
fosse você
minha linda
finda
minha musa
meu porquê

terça-feira, 29 de abril de 2014

a azia me rouba o sono que já era leve na sua presença. seu corpo respirando no meu. seu cheiro dominando-me todo, até meu canto mais íntimo. seu medo que não contém, de ser usada, virar refém. meu medo, escondo bem, de te ser pouco, por excesso de razão me impedir de ir além.

decepção crescente
buraco
minuendo
razão

cria
da expectativa
que cria

domingo, 27 de abril de 2014

limitless efforts
might not get you there
but whatever happens
in the end
they will free you
from any regrets

terça-feira, 22 de abril de 2014