sexta-feira, 12 de setembro de 2014

o silêncio que aplaca
é o mesmo
que devora

quando me igualo
é que sou pior
do que o pior
que há lá fora

sexta-feira, 25 de julho de 2014

a sua voz ainda ecoa
em mim
seu cheiro ainda sinto
na minha pele
seus cabelos ainda presos
em meus dedos
enquanto essa paz
que te ter me dá
me toma por completo

sábado, 12 de julho de 2014

percorro você
entre beijos
e afagos
entre cabelos puxados
e dedos entrelaçados
entre suspiros
e gemidos anunciados
mas sei mesmo
quem é você toda
no sorriso inevitável
que te escapa
quando deitada
em meu colo
enquanto em beijos
e carinhos
te passeava
sua timidez em seu embaraço antes do nosso beijo primeiro. sua pele na minha enquanto minha boca passeia por todo seu rosto, sentindo teu cheiro, buscando seu gosto em minutos que se durassem a eternidade me trariam o mesmo sentimento gostoso da descoberta do certo, do absolutamente certo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

em segundos seus gestos oscilam entre a plena consciência e confiança e a hesitação quase juvenil. e você vai transbordando em emoções exacerbadas pelo álcool. junto minhas mãos em forma de cumbuca na tentativa vã de pegar tudo que derrama e me sinto tão pequeno diante de tudo que é você. só o que te sobra me seria o suficiente, mas minha ambição não me deixa contentar com medos do que você toda. e fico te olhando em todos os detalhes do seu gestual consciente e inconsciente, para ver se te guardo comigo, como se esse guardar você em lembrança fosse o melhor jeito de te ter. ou talvez o mais fácil.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

desde 2002
desde sempre
quase
você diferente
indiferente
você me gostando
eu não querendo
você fugindo
eu correndo
timing de merda
amor enorme
gosta
não posso
gosto
já era
descasar
urbanóide

hermético
fechado pra tudo
e todos

do xixi do cachorro
que escorre
sem entrar
à a água da chuva
que alaga
sem molhar

cidade fechada
lacrada
que não deixa entrar
nada líquido
ou água
tão pouco
sentimento
seja gostar
ou pesar

quarta-feira, 11 de junho de 2014

caixotes
em meio ao deserto
insolação
incerteza
vida
sequência 
quase infinita
mas finda
de senão

terça-feira, 10 de junho de 2014

você me trouxe
como antes
a temperança
mesmo que leve
e mais me deu de volta
hoje com você
sou todo amor
inundado transbordo
esperança

sexta-feira, 6 de junho de 2014

você fez meu tempo
que passava rápido
parar

eu parei pra ver
você no seu tempo
passar

terça-feira, 3 de junho de 2014

O voluntariado e a preeminência
(da desigualdade e da meritocracia)

“Quanto mais estruturalmente desigual uma sociedade, maior a participação da sorte em nosso destino.”

A questão não é filosófica, mas matemática. Quanto maior a diferença sociocultural em uma população, maior o salto necessário para superá-la. E maior a inércia econômica individual ou geracional.
Somos hoje, brasileiros, mais o que nascemos do que o que nos tornamos. Somos dos países mais desiguais do planeta, contando com um abismo entre os mais ricos e os mais pobres que vai além da distância econômica. Nosso sistema educacional disfuncional e carente aprofunda as diferenças iniciais ao invés de diminuí-las. A falta de estrutura ou ferramentas sociais cria um jogo onde o vencedor (no conceito amplamente aceito de sucesso, incluído o financeiro) é previamente conhecido. Onde a vitória é herdada. Um sistema tão evoluído (da pior maneira possível) de manutenção do status quo que pode ser comparado ao sistema indiano de castas.

Um dos professores mais importantes da minha vida me deu aula por apenas seis meses. Não era nem um pouco querido na faculdade (UFRJ), tido como tumultuador, questionador em excesso, marqueteiro e maluco. Sempre gostou da fama e fazia muito para aumentá-la, com brigas e arroubos em sala de aula, em assembleias de professores e onde mais achasse válido. Luis Eduardo Potsch é um cara a quem admiro, mesmo sem concordar com muito do que diz. Dentre as polêmicas frases e atitudes dele, duas me chamaram especial atenção: a primeira, que ele fazia com todas as turmas, era questionar o mérito de cada aluno que lá estava, alegando ser muito mais mérito dos pais na escolha de boas escolas do que do aluno ao passar; a segunda, de que o altruísmo sincero não existiria, sendo apenas egoísmo disfarçado. Ainda não tenho opinião formada sobre a segunda, mas o foco é a primeiro, esta que era especialmente dura para nós jovens recém entrados na faculdade cujo vestibular é dos mais concorridos do país. Era um golpe em nosso ego, à sensação de mérito próprio. O fato de que nem todos com a mesma chance que nós lá estava não invalida o argumento, ao contrário do que achávamos, já que estes todos tiveram também a mesma sorte. Invalidada estaria a tese se a maioria do que lá estudavam tivesse vindo de escolas públicas normais, descartadas as poucas que são consideradas centros de excelência como os Colégios de Aplicação da UERJ e UFRJ, os Pedro Segundo, Cefets e afins.

O questionamento à existência do mérito é também um questionamento ao conceito de meritocracia. Fato é que a meritocracia como a conhecemos ou como é amplamente aplicada tem três grandes defeitos: primeiro, a medição do resultado final, sem ajuste à situação inicial individual, é um contraditório suficiente para invalidar o conceito; segundo, o modelo usual de meritocracia não endereça a questão ética, ou a maneira como o objetivo é alcançado, igualando caminhos eticamente opostos que alcancem resultado único; e por fim, este modelo incentiva a busca por resultados de mais curto prazo, cujo componente sorte é muito mais importante para seu fim do que os de prazo mais longo (o resultado de um processo/sistema depende da combinação de sorte e habilidade/competência, apesar de geralmente considerarmos somente o segundo componente - talvez pelo primeiro ser menos controlável, menos mensurável).
Ao longo da minha experiência como voluntário e com voluntários, tive dos momentos mais sublimes. Na sorte do convívio com pessoas extraordinárias, cuja vontade, força, bondade, amor superaram o limite do imaginável, do possível, incluindo-se aí tanto os voluntários quanto as pessoas a quem os trabalhos se destinavam a ajudar. Na indescritível alegria de ver realizada a causa ou impacto pelo qual se trabalhava. No desejo sincero, amplo, irrestrito em ajudar por ajudar.

Mas vivenciei e presenciei também coisas não muito boas. E a pior de todas, a sensação de preeminência de quem lidava com alguém menos favorecido. Não evidenciada por descaso ou destrato, mas pelo olhar. Pelos pequenos gestos que transbordavam uma aura de superioridade, que exigiam em troca gratidão, gerando a sensação de uma dívida emocional. E nestes momentos me pegava pensando não se o trabalho voluntário vale a pena, porque isso é inquestionável, mas na motivação destas pessoas e na causa dessa sensação. E a cada minuto que passa, vejo na extrema desigualdade e na não compreensão dela e de seus efeitos por todos, a terra fértil onde prospera essa sensação.

(ao contrário do que pode parecer, este texto nasceu de duas fantásticas vivências recentes: à Dona Vera e ao Sonhar Acordado/Dia do Sonho, com muito carinho)
cada fio do seu cabelo
entrelaçado em minha mão
cada poro da sua pele
arrepiado em explosão
cada ida e volta do seu peito
em respiração
cada sua tremida de leve
nas batidas do seu coração
cada segundo da sua mente
sua constante reflexão
cada sorriso aberto
ah, a cada sorriso seu
me desfaço por ti
em arroubo
que louca paixão

segunda-feira, 2 de junho de 2014

o que tem
de curta
a vida
pode ter
de grande

a vida
que nos derrama
vê secura à volta
e clama
venham conosco
viver

viemos
de passado distante
vivemos
sem nós
claudicantes
hoje coletivo
meu
seu mais lindo sorriso
que se abre fácil
te entrega
toma todos
do santo ao ladrão
de assalto
bendito sorriso
quanta paixão

é vida
que transborda
é vida
saindo pelo ladrão
inunda todos à volta
em risos, choros
pura emoção
plenitude
tudo
menos senão

quinta-feira, 29 de maio de 2014

queria aqui publicamente registrar o dia em que me apaixonei por você: 28 de maio de 2014

sou dado a arroubos e paixões, que me tomam em séries cada vez mais espassadas. desde que te conheci que os trato como distrações ao amor definitivo que você me representa, mesmo quando distante, ausente. sei e não é de sonhar, tão pouco imaginar, o que o futuro, este que nos pertence, está a guardar. visualizo em detalhes como vidente, este crente na gente que sou. te sinto toda: das mãos mexendo em nervosismo ao abraço apertado que te acalma pela certeza do inevitável. sinto teu cheiro mesmo quando à léguas de mim. conheço teu gosto desde antes de sabê-lo só seu, prévio à qualquer conceito meu de paladar. escuto a música que é você mesmo quando no ambiente mais barulhento. nada é capaz de ofuscar sua presença em mim, entranhada que me está. temos a calma da certeza e da eternidade que nos espera e desde que paramos de nos perder, de nos fugir, temos também a urgência da vida, que nem um segundo queremos desperdiçar. eu, que era pântano de dúvidas e hesitações sou hoje bastião da certeza do nosso voar.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

não são mais épocas
dos quinze de fama
não
é tempo novo
do egoísmo
     da intolerância
            da infâmia
     
tempo sem razão